Finalizando o ano
Era para ser o final das atividades de 2006 e a entrada do recesso do blog. Queria publicar, de uma vez só, um texto sobre 2006 na tevê aberta, a lista dos melhores, o destaque de 2006 na tevê paga, dizer o que 2006 representou para mim e colocar as previsões e preferências para o Globo de Ouro. Consegui publicar tudo, menos o último item, como você confere logo abaixo.
Nos próximos dias, estarei publicando o post do Globo de Ouro para, aí definitivamente, entrar no recesso. Deverei fazer isso apenas após a virada do ano. Por isso, desejo um réveillon maravilhoso, e que o 2007 de cada um de vocês seja mágico. O Televisionando continuará na ativa, torcendo para que a tevê esteja sempre melhor.
É isso. Feliz Ano Novo e até o próximo post.
Por Gustavo (e-mail) - 3:37 AM
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O ano na tevê aberta: 2006 foi de Bia Falcão & A lista dos melhores

Belíssima foi uma novela extraordinária. Teve lá suas diversas qualidades, sim, mas nenhuma delas chega perto de Bia Falcão. Daqui a vinte anos, falar de Belíssima será falar de Bia Falcão. E falar de Bia Falcão não necessariamente nos remeterá a Belíssima. A personagem já é antológica e será lembrada como uma vilã do nosso tempo. A teledramaturgia brasileira poucas vezes teve uma personagem tão pertinente.
Fernanda Montenegro, a intérprete, é a única atriz brasileira indicada ao Oscar. É uma mulher culta, politicamente ativa, uma cabeça pensante que vai além da condição de atriz - aonde é impecável, por sinal. É difícil pensar em outra pessoa para interpretar Bia Falcão, e há um simples motivo para isso: Silvio de Abreu, o autor da novela, escreveu pensando em Fernanda. O sucesso de um personagem surge de casos assim, em que autor e ator estão engajados num mesmo caminho, estão trilhando uma mesma trajetória para atingir o mesmo objetivo almejado. E, analisando especificamente a trama de Belíssima, é muito fácil perceber que quase tudo girava em torno de Bia. Ela era a engrenagem dessa máquina que foi Belíssima. Não funcionar corretamente poderia significar um insucesso.
Mesmo quando sumiu por uns tempos, Bia Falcão deixou claro que sua importância ali era grande: ela tinha se enraizado em todos os cantos da narrativa de tal forma que a novela ficou dependente da alma da personagem. Em alguns casos, poderia ser usado um argumento clássico para criticar a novela: uma narrativa não pode ser tão dependente de um personagem só. É aí que nós nos lembramos que Bia Falcão exige isso. Ela é uma vilã exigente.
Em uma ano, o Brasil vivenciou Bia Falcão. No debate presidencial mais aguardado e mais quente do ano (o da Bandeirantes, que marcou o primeiro encontro entre os dois candidatos do segundo turno das eleições), um jornalista (Franklin Martins) formulou sua pergunta baseando-se em uma entrevista de Silvio de Abreu à revista Veja (a maior e mais popular do país) em que ele citava Bia Falcão como exemplo da queda de moralidade da sociedade (uma vilã do nosso tempo, veja você). No julgamento mais aguardado do ano, de Suzane von Richthofen e dos irmãos Cravinhos, o advogado de defesa destes últimos comparou Bia à primeira. Por um tempo, todo mundo se perguntou quem havia planejado um atentado para matar a personagem. Depois, todo mundo viu que ela não havia morrido. E a grande culpada da história, como revelado no último capítulo, era ela mesmo. Só poderia ser assim.
Uma das últimas frases de Bia Falcão em Belíssima foi proclamada ao som de Elis Regina, em Paris. Ela diria que "alguns prazeres da vida são indispensáveis". Pois estava corretíssima. Ou você consegue imaginar 2006 sem Bia Falcão? Não dá. Esse foi o ano dela.
***
Não há melhor momento para coroar os melhores de 2006 que agora. Eis a minha lista:
Melhor Novela
Belíssima
Melhor Autor
Silvio de Abreu
Melhor Ator
Osmar Prado, por Sinhá Moça.
Melhor Atriz
Fernanda Montenegro, por Belíssima.
Melhor Ator Coadjuvante
Lima Duarte, por Belíssima.
Melhor Atriz Coadjuvante
Patricia Pillar, por Sinhá Moça.
Melhor Jornalístico
Roda Viva.
Melhor Humorístico
A Grande Família.
Melhor reality show
O Aprendiz 3.
Melhor Apresentador
Silvio Santos. Sim, ele.
Por Gustavo (e-mail) - 3:13 AM
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O ano na tevê paga: 2006 entrecuzou downloads e canais
Não gosto muito de comentar essa polêmica que envolve o grau da legalidade de fazer downloads de séries pela internet, e de produzir (logo, de baixar também) legendas para elas. Esse é um blog sobre televisão e, por mais que o conteúdo desses downloads seja televisivo, é algo muito particular do internauta/telespectador fazer seu julgamento de valor. Só que, como aqueles que acompanham a movimentação da tevê através da internet viram, alguns canais da nossa tevê paga resolveram apontar o dedão e dizer que era errado fazer as legendas, para coroar a suposta ilegalidade dos downloads. Já que eles não podem interferir na matriz (o ato de baixar as séries), o plano B foi correr para o alicerce daqueles que precisam de uma tradução para assisti-las: as legendas.
Fecharam um site que as disponibilizava (prendendo o respectivo dono, mas por atividades realmente ilegais), tiraram do ar outro e, discretamente, desativaram um terceiro. Isso, pelo menos, é o que eu sei. É possível que tenha havido outras atividades semelhantes.
Entenda: quando você lê "eles fecharam", é porque estou fazendo referência a uma associação de certos canais pagos (a Sony entre ele, mas não só) que estariam (é o que se imagina) com medo da crescente onda dos downloads. Esses canais ignoraram pesquisas que indicavam a positividade comercial de conhecer um programa pela internet e continuar acompanhando-o pela televisão. São vários os motivos para dizer que a pesquisa pode ser ilusória, mas a matriz de boa parte de nossos canais da tevê paga (os canais dos Estados Unidos) entenderam o recado da pesquisa (obviamente, embasada em dados e estatísticas reais) e fizeram uma adaptação. Por que o mesmo não pode ser feito aqui? Será que alguns canais realmente acham que vão extinguir uma atividade já popular da internet através de pressão?
Sou um usuário assumido (mas não assíduo) dos downloads de programas. Já o fiz para contar as novidades da tevê norte-americana aqui, para preparar-me da melhor forma possível para o Globo de Ouro e por pura vontade. Só que, ainda assim, prefiro acompanhar pela televisão - não esqueça que, mesmo vista pelo computador, uma série ainda é um produto de televisão. Conheço gente que só vê séries pelo computador e aqueles que só o fazem pela televisão. Entendo os motivos. E já entendi outra coisa, também: esses downloads não vão acabar. O mundo está imediato em conceitos e práticas. A televisão virou imediata para o mundo inteiro. Não dá para, como alguns canais querem, parar com essa nova mania. Os profissionais dos setores específicos dessas emissoras têm que estudar uma maneira de descobrir o que é o útil, o que é agradável, e fazer a união.
A prática dos downloads já existe há muito tempo. Pode até ter aumentado nesse ano, só que não foi criada agora. Escrevo esse texto como uma espécie de destaque àquilo que foi a tevê paga nesse ano. O tema poderia ser a ótima quinta temporada de 24 Horas, o Emmy ou qualquer outra coisa. Não é. O tema foi a interferência das emissoras em um hábito paralelo de seus telespectadores (ou não). Entramos em 2007 com o choque do primitivismo, da tentativa covarde de quebrar esse ciclo. E, claro, com a esperança de que os canais saiam do palco, arrumem uma forma de compreender o novo telespectador que emergiu e cedam o centro do holofote para que o destaque da tevê paga do próximo ano seja algo mais televisivo. Não é tão difícil assim.
Por Gustavo (e-mail) - 2:23 AM
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O ano, para mim: Katharine McPhee
Eu realmente não acho que seja preciso falar mais alguma coisa sobre ela depois de tudo o que vimos, o que vemos e o que veremos, dentro e fora do American Idol. Katharine McPhee foi 2006 para mim.
Por Gustavo (e-mail) - 2:00 AM
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Luta com o Globo de Ouro + Medium + Patricia Arquette de cabelo curto
Já vi que meu último post aqui no blog antes do "recesso" não vai ser publicado antes do dia 1°, como eu imaginava. Tenho vários programas para assistir aqui pelo computador e que ajudarão nas previsões (e, talvez, preferências) do Globo de Ouro (não, eu não esqueci). Tem um certo filme de tevê, Broken Trail, inteirinho, me esperando. E alguns episódios de séries, claro.
Vi hoje, e fiquei muito encantado, com o terceiro episódio (Be Kind, Rewind) da terceira temporada de Medium. Basicamente, é o mesmo esquema do season finale genial da segunda temporada, em que o sonho parece real, mas não é. Esse episódio é bem melhor que o season premiere duplo, que me pareceu um pouco bobinho demais. Perto desse terceiro, ele não é nada. Não vou adiantar qualquer coisa (a sinopse do episódio é um campo minado de spoilers! Prefiro não arriscar), mas imagino que vocês adorarão.
E - claro! - tem a Patricia Arquette, que é a razão de eu assistir a Medium nesse período pré-Globo de Ouro (ela está indicada a Melhor Atriz de Drama). Não dá para analisar a interpretação dela pela segunda temporada, porque essa indicação foi pela terceira, ainda inédita no Brasil. Pois bem: ela está de cabelo curto! Para variar, também está ótima. Como a maioria (não todas) as concorrentes da categoria.
Por Gustavo (e-mail) - 1:05 AM
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Três unidades de Luana Piovani são demais para um programa só?
Esqueça tudo aquilo que você já ouviu falar - ou até mesmo o que sua mente maliciosa pode ter pensado - sobre Luana Piovani. Essa deve ser a maneira correta para analisar, multilateralmente, o especial de fim de ano que a atriz protagonizou na Globo, Lu. De fato, não dá para analisar qualquer coisa que seja com conceitos pré-estabelecidos. Tem que haver isenção.
Infelizmente, com dois minutos, a idéia de que Luana realmente é uma daquelas celebridades irritantes vem à tona. Surpreendente, com esses mesmos dois minutos, a idéia de que Luana é uma atriz realmente competente prevalece. Logo, fica a sensação clara: ela é realmente tudo aquilo que você sempre imaginou. Soçobra qualquer isenção aos preconceitos.
Acho que nunca tivemos uma conversa tão franca com uma figura-mito na nossa televisão como a que Lu oferece. Nos pouco mais de trinta minutos de duração do humorístico, Luana olha para a câmera, cochicha e interpreta personagens cujas composições certamente têm um pouco dela. Às vezes, essa franqueza extrapola o limite do senso ideal, como na cena final, indescritível. É importante, para o funcionamento do programa, que a atriz realmente entregue um trabalho três-em-um tão convincente como esse. Dizer que falta um pouco de carisma é quase inevitável, mas é difícil dizer que ela não está bem no papel.
São três faces de uma mesma mulher - a própria atriz. A dona-de-casa, a médica supostamente solitária e a jovem do interior, ainda encantada com as possibilidades da cidade grande e de seu futuro. Cada uma delas participa de tramas que não têm ligações entre si - a não ser, claro, pela participação de Luana Piovani como ela mesma tentando causar interferência na vida das personagens, como uma espécie de narradora de tudo aquilo. Todas as três Lus, no fundo, são aquilo que Luana seria frente àquelas situações - pelo menos, ao contrapor a opinião da atriz enquanto as tramas ocorrem, é isso que resta na polpa do texto.
Quando o programa começa, Luana Piovani aparece falando diretamente para a câmera. Ela diz que o telespectador já a conhece. Ali, no calor do momento, eu achei absolutamente desnecessária a presença dessa introdução. Até, claro, que eu percebo o principal: aquilo era uma marcação de território. Luana, ali, estava simplesmente tentando arranjar seu cantinho no sofá. Para comentar as historinhas ao decorrer do programa, ela precisa passar a sensação de que não está ali do lado da produção do programa, mas do nosso (nós, telespectadores) lado. Com o passar do tempo, foi ficando claro que aquele não era um programa necessariamente bom - e aí que eu entendi ainda mais o quão importante era a demarcação de território da atriz do nosso lado. Era preciso, sim, ulular essa amabilidade. Ela pode continuar uma figurinha difícil, mas meio que garantiu a audiência: o alicerce de Lu é exatamente a condução narrativa da atriz, e ela o faz de forma que nós nos interessamos não pelas histórias, mas por ela.
E, dessa forma, todo o resto fica meio perdido no ar. Todas as participações (Reynaldo Gianechinni, com uma raspa da composição do Pascoal, de Belíssima; Marcelo Antony, fazendo charminho - e só; Stepan Nercessian, num estereótipo intragável; e Paulo Betti, atuando direitinho, apesar da difícil tarefa de repetir três vezes uma mesma cena, só que com mudanças de ângulo) parecem absolutamente desnecessárias para o funcionamento do programa, porque são alicerces para o nada. Não há uma seqüência de diálogos decente para ajudar o programa a engrenar suas tramas. Não há sequer alguma piada ou situação engraçada. Era para ser comédia, não era?
Lu é dirigido e arquitetado por José Lavigne, que há 16 comanda a direção do Casseta & Planeta, e que levou o programa aos cinemas pela segunda vez neste ano, certamente com mais competência que na primeira vez. Ele também participou, de forma importante, de programas como Armação Ilimitada e TV Pirata. Não é qualquer nome televisivo. Em Lu, é difícil deixar de dizer que quase nada ali parece ter o dedo dele. Quem coloca o programa para frente, ainda que cambaleando, é Luana Piovani. Com ou sem carisma, é a simples presença da atriz (como ela mesma ou como ela vezes um estereótipo) que faz o programa ter um ritmo. Nisso, Lavigne nada influencia. Alguém aí realmente acha que Luana interpretou daquele jeito por uma direção de elenco? Gosto muito de boa parte dos trabalhos de Lavigne. E fico decepcionado por ver que o programa só não foi engraçado ou bom por falta de um pouco mais de sua essência.
(Que Lavigne estava lá, isto a gente sabe que estava. Veja toda a trama em que Luana contracenou com Gianechinni. Foi gravada inteirinha com a imagem em posição semi-diagonal. Era um efeito bacana, mas que precisava de outro complemento visual - ou até artifício narrativo - para fazer sentido.)
Aquele trocadilho já aplicado por muita gente para o novo filme da Xuxa ("uma Xuxa já é ruim, imagina duas!") não se aplica para o especial de fim de ano de Luana Piovani. Três Luanas está dentro do limite. Mas, sozinha, a atriz não coloca programa nenhum na grade de programação de uma emissora como a Globo - ainda que a concorrência seja formada pelos irregulares Dom e o segundo Os Amadores. Luana Piovani pode ser boa atriz, mas não é autosuficiente.
Por Gustavo (e-mail) - 2:12 AM
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Para dizer "Feliz Natal"
Deus sabe o quanto eu queria vir aqui mais vezes neste finalzinho do ano para comentar a tevê, que nunca pára. Mas eu prometo recompensar vocês - seja nesta última semana ou lá no próximo ano, quando retornaremos, lá por 20 de janeiro, com o layout novo. Eu acabei de dizer, mas repito: isso é uma promessa.
Por ora, não posso deixar de desejar a todos vocês um natal ótimo - com ou sem comilança, ainda é natal, porque cada um aproveita à sua maneira. Essa é, talvez, a melhor época do ano (para mim!). Não dá para passar em branco, sem aproveitar. Desejar um "Feliz Natal" é desejar um natal bem-aproveitado. Quero que todos vocês façam isso, ok? Essa tem que ser a promessa de vocês!
Meu presentinho virtual é um vídeo da Katharine McPhee, linda, cantando uma música de natal, também linda. Dediquem um tempinho do natal de vocês para assistir a esse vídeo. Nada de recusar o meu presente!
Por Gustavo (e-mail) - 6:40 PM
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Lombardi vai escrever séries
Olha aqui que legal: o Carlos Lombardi, autor de novelas com estilo narrativo mais próximo de seriados americanos, vai escrever séries. Cool, né?
Por Gustavo (e-mail) - 10:49 PM
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Triângulo da sorte?
As coisas parecem se encaminhar para que Vidas Opostas, a novela das dez da Record, continue do mesmo jeito até o fim. Há tempos uma novela não aparecia e deixava essa sensação de que as coisas não vão mudar. Os defeitos e qualidades parecem estabelecidos na balança - e o maior peso fica com a primeira turma. Algumas soluções parecem questões simples de ajeitar os fatores. A personagem de Lucinha Lins é exemplo. A interpretação está boa, mas a personagem é muito mal utilizada. Lucinha e Jussara Freire são as melhores atrizes do elenco, sem dúvida, mas ficam perdidas no meio do alarido que é o núcleo dramático. Há muito choro, muito açúcar, muitas chances perdidas. O maior acerto, por incrível que pareça, fica por conta do triângulo (quadrado?) amoroso dos protagonistas da trama.
Talvez seja prova de que a novela não é pernóstica o suficiente para autodestruir-se. Os dois protagonistas da trama são a encarnação do título da novela (mocinho rico, mocinha pobre: vidas opostas), e, de certa forma, fazem da novela uma obra eficiente na sua premissa central.
Gosto muito da química que surgiu entre Maytê Piragibe (Joana) e Leo Rosa (Miguel). São jovens atores, e que compreendem a regra básica para ser centro amoroso de qualquer obra de espécie dramática: os personagens têm que demonstrar o amor que o texto explora, mesmo que isso prejudique as outras facetas do personagem, porque um protagonista romântico tem no amor sua principal faceta. No geral, Maytê consegue ser ainda melhor que Leo nas outras facetas, ainda que o resultado final seja parelho. Quando uma cena entre os dois começa, a novela parece ganhar uma alma de qualidade que, nas outras áreas, ela simplesmente não tem.
A relação entre os dois personagens pode não ter nenhuma novidade (não deriva nada de especial, tampouco tem um conteúdo surpreendente), mas é um alívio para o telespectador. Ver que atores jovens como Maytê e Leo têm poder para contaminar a interpretação de Lavínia Vlasak (sua personagem é ex de Miguel) é uma dádiva. A cada capítulo, Lavínia parece estiolar mais e mais a essência da própria personagem, que não é má, egoísta ou chata - talvez Marcílio Moraes, o autor, tenha sonhado que ela seria, mas a atriz não realiza a idéia -, nem nada. Sinto cheiro no ar de personagem prestes a perder espaço na trama. A solução - eis a dádiva - é que qualquer corpo contrário ao relacionamento dos mocinhos pode, involuntariamente, retinir um sentimento geral de raiva - e, se Lavínia Vlasak estiver ligada nesse momento, que já começou, ela pode se dar bem, porque boa atriz ela pode não ser, mas é esperta.
Há uma ponta que ainda não se integrou nesse triângulo: Ângelo Paes Leme. O ator faz um traficante que parece ter alma do bem, mas que quer ser do mal. Ângelo tem que saber acompanhar a evolução do personagem para se dar bem, algo que eu suspeito que venha a acontecer. Mas, voltando a Jéferson, seu personagem, é interessante ver que ele esteja prestes a formar um quadrado com Erínia, Miguel e Joana, e corra o risco de agradar ao público - visualmente, ele e Joana podem ter a liga dramática que soe como diferencial. Seria interessante, já pensaram? Marcílio Moraes, quando tiver que constringir os conteúdos para dar um rumo a esse quadrado (que já está bem, como dito), pode alavancar junto o resto de sua novela. Quando estreou, marcando 18 pontos de pico da audiência, Vidas Opostas virou os joelhos de gueixa do público que prestigia novelas fora da Globo. Tem que voltar a ser.
Por Gustavo (e-mail) - 7:40 PM
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The Woman of His Dreams
Sei que este não é o adjetivo dos sonhos, e pode ser mal interpretado. Mas a verdade é que o episódio de ontem de Ghost Whisperer (Sony, segundas, 21h/1h) foi canalha. A temporada estava, aos trancos e barrancos, fazendo uma trajetória capaz de me levar a ignorar alguns problemas que não estavam na trivialidade da série. Às vezes, ignorar algumas coisas pode levar a outras inacreditavelmente mais satisfatórias. Só que agora deu: The Woman of His Dreams, o episódio de ontem, foi uma bomba. Ruim mesmo.
Foram três blocos para, supostamente, situar a história. Talvez seja uma visão cínica minha, mas aquela história dos simbolismos só serviu para dar margem a aparição de um personagem (aquele professor insuportável, Rick) e, como não poderia deixar de ser, gastar o nosso tempo. O que a série não percebe é que as oportunidades desperdiçadas foram muitas, que o tempo gasto poderia, tão-somente, ser utilizado. Não parou por aí, claro. Mesmo quando houve "conteúdo" (a "modelo deslumbrante" que, você viu, não era tudo isso), o ritmo estava falho e os diálogos nada afiados. Mas eu quero chegar é no marido de Melinda, o tal Jim.
O personagem, como em qualquer outra série com uma protagonista que detém as ações de todos os outros personagens, vive em função da mulher e não tem nenhuma nuance psicológica. Mas, calma. O ator é bom. David Conrad é um nome pouco conhecido, mas, do que eu pude perceber em seus momentos em Ghost Whisperer, ele gosta do próprio personagem. Essa é uma parte complicada, porque muitos atores demoram demais para adquirir empatia com aquilo que interpretarão. Já é um passo. E mais: ele consegue ganhar seu espaço mesmo com a Jennifer Love-Hewitt em cena, e todo o texto centrado nela. Não é pouco.
Ontem, foi o episódio em que ele mais teve importância narrativa. Ele era a ponte de ligação entre os sermões de Melinda, a vilã instantânea, a falecida da vez e sua família. Jim teve muitas cenas constrangedoras (a da banca, a do jogo de cartas) que, eu garanto, são piores no papel do que na forma como foram interpretadas. O obstáculo maior é continuar a ter bons momentos assim, contar com o holofote do texto centrado nele. A série está ficando mais intimista nessa temporada, pode ser a vez de David Conrad.
Viver com a companhia única e exclusiva de Melinda por vinte e dois episódios por temporada é dose. Sério. E pensar que eu estava inclinado a mudar meu pensamento...
Por Gustavo (e-mail) - 4:58 PM
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American Inventor, até agora
Lembra da resenha que eu escrevi sobre a estréia de American Inventor (Sony, sábados, 21h/1h)? Era um texto de desapontamento, porque nem tudo funcionara tão bem como poderia, apesar de o programa ser simpático.
Eis que, da estréia até o último sábado, acompanhei a todos os episódios de American Inventor. E, com exceção do terceiro, todos os episódios representaram uma queda constante de qualidade.
Pegue o penúltimo exibido até agora. Talvez tenha sido o exemplo mais grotesco e triste no ano daquilo que a televisão pode ser para fazer o tempo correr rápido, quando não se tem conteúdo suficiente para preencher o tempo. Mais que os nossos exemplos (Páginas da Vida, Boa Noite Brasil, etc.), o reality abusou da câmera lenta, da música instrumental que desemboca no melodrama, tudo para contornar algo óbvio: o que a gente viu em uma hora de programa poderia ser resumido em um "previously on" de Lost ou de qualquer outra série.
O último episódio, do último sábado, diminuiu um pouco a gordura, mas continuou tendo pouco a mostrar - e esse é o primeiro sintoma para o surgimento dos subterfúgios. Não sei se sou maioria ou minoria, mas não bati com aqueles jurados. Para assumir o papel que eles representam é preciso mais do que soltar, vez por outra, um comentário com voz embargada pelo choro - no caso deles, apesar da carga emocional, é preciso não ficar deslumbrado. Houve, mais de uma vez, momentos de "vamos fazer uma briga para ver se parecemos Paula Abdul e Simon Cowell". Não há identidade própria.
Acaba ficando tudo na mão dos participantes. Desses, menos de cinco dos que integraram o top 12 parecem realmente dignos da proposta do programa. A constatação engraçada, e que pode revelar um pouco mais sobre o programa, é descobrir que, dos doze finalistas, praticamente todos (eu acho até que posso considerar todos, mas vamos com calma) têm potencial para fazer chorar e angariar simpatia. Não teria sido esse o critério?
***
Só para encerrar: alguém me explica o que é aquele apresentador?
Por Gustavo (e-mail) - 2:16 PM
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Depois do Bailando por um Sonho...
Calma. Eu não estou falando nada. Mas... vocês leram direito? Dançando com as Estrelas da Dança. Foi isso mesmo?
Por Gustavo (e-mail) - 1:06 PM
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Semana da Fox não terá séries no horário nobre
Você sabe: fim de ano chega, e as emissoras de séries já vão atrasando a exibição dos episódios, para não perder audiência e para o público não se perder na linearidade. A Fox é a primeira a nos "ajudar". Durante toda esta semana terá filmes no horário nobre do canal, logo, nenhuma série será exibida (deste horário, que fique claro).
A decisão pode parecer radical, mas tem pitadas de bom senso. Por outro lado, desagrada a outras pessoas, principalmente àquelas que esperavam os finais de temporada de The Simple Life e Nip/Tuck e não contavam com atrasos de qualquer natureza.
A boa notícia (em termos?) é que a exibição da semana que vem será normal.
***
A imagem que ilustra o post é um daqueles produtores de risos involuntários (desta vez, do site do canal) que Fox, Sony e Warner adoram criar. "Disfrute".
Por Gustavo (e-mail) - 12:54 PM
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O meu "sumiço"
O último post foi escrito no domingo passado. Sinto-me praticamente obrigado a arranjar um jeito de escrever um post antes de amanhã, domingo, para não completar uma semana sem posts publicados.
Quis, e muito, escrever nos últimos dias. Mas o Blogger, que é a ferramenta utilizada para a publicação de cada mero post deste blog, esteve em manutenção - logo, nada pude escrever por aqui.
Neste momento, encontro-me no meio de uma viagem por motivos familiares, mas é coisa de um fim-de-semana. Segunda-feira estarei de volta, em meu lar, e poderei escrever até o ano terminar. Aí, então, tirarei umas férias rápidas - e aproveitarei para finalizar os últimos detalhes do layout 2007 do blog, que estréia quando eu voltar, lá pelo final de janeiro.
No momento, não tenho como escrever muita coisa - estou no cyber café do hotel, que tem um teclado não muito amigável. Quem quiser, pode clicar aqui e ler um texto que escrevi para o site TeleSéries, sobre a quinta edição do American Idol, na retrospectiva de fim de ano deles. Esse texto foi escrito no período em que o Blogger encontrou-se inacessível.
Por ora, é só. Até mais!
Por Gustavo (e-mail) - 6:24 PM
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Os Caras de Pau minimizam a graça do típico almoço de domingo
Há algo de muito esperto em Os Caras de Pau (domingos, Globo, 13h). Dá a sensação de que é um programa com tanta coisa para mostrar que rende uma afobação negativa, uma espécie de bagunça que não dá para colocar tudo no ar. Agora, cuidado: a situação real é outra. Esse novo humorístico é uma das coisas mais vazias de conteúdo (e de outros fatores, também) da televisão brasileira.
Não dá para dizer que não tem uma premissa. Tem. A idéia é conectar os humoristas e apresentadores (atuando muito mais como apresentadores que como humoristas. Mas, enfim) Marcius Melhem e Leandro Hassum (oriundos do Zorra Total, onde funcionam melhor) ao título do programa. E colocá-los na frente de um palco, sem ter muito que falar. Se você lembrou do Tracy Jordan, de 30 Rock (quartas, Sony, 20h30), no primeiro episódio da série, pensou direitinho.
A idéia, claro, não é auto-suficiente. Nem com todos os acessórios para construí-lo, Os Caras de Pau teria bastante conteúdo. É meia-hora para preencher, toda semana, por cinco programas. Logo, o que acaba acontecendo é que o programa procura saídas para preencher o tempo. Começa com a idéia esdrúxula do "tema da semana". Na estréia, que foi ao ar neste domingo, o tema foi "superstição". Depois, vem o auditório, que é quem mais quebra o galho para o programa - e eu não digo no sentido de melhorar alguma coisa, mas de fazer o tempo correr mais rápido. Por fim, tem um convidado da própria emissora que vai lá participar de esquetes. Carol Castro debutou esse "papel" de Os Caras de Pau. Não sou lá o maior fã dela, mas que, nos momentos em que apareceu, ela foi a melhor coisa do programa, isso não deixa dúvidas.
Com essas três armas na mão, o programa vai por um caminho que mistura momentos de qualquer programa da Xuxa com esquetes de Casseta & Planeta. Tudo, claro, relacionado ao tema da semana. Houve um esquete especialmente constrangedor, em que os dois humoristas-apresentadores e Carol Castro estavam na frente de um congresso fictício daqueles que acreditam nas superstições. O quadro era ambientado na porta de entrada desse congresso, e alternava o presente e o passado, com supostas explicações de como surgiram as superstições. Terminou com um gato (preto, lógico) pulando em Carol. No auditório, que é onde o programa gasta a maior parte de seu tempo, os apresentadores chamavam crianças para ver quem tinha mais cara-de-pau. Tinha que pagar um mico para ganhar o quadro. Uma das crianças "tirou meleca", a outra imitou um leão e a última imitou um macaco. Ganhou a última.
Ao menos, há um pouco de cinismo nessa arena. Chamado de "antipático" pelos apresentadores, um boneco, caracterizando um idoso, ficava resmungando de tudo o que os apresentadores faziam, além dos participantes dos "games". Estava num mau-humor só, o boneco, que iniciou sua participação dizendo que "queria participar de um programa inteligente e legal. Não deu. Acabei vindo parar aqui". Basicamente, era um retrato de como o telespectador, em casa, estava se sentindo. E ficar agoniado em plena hora do almoço de domingo é algo que ninguém quer.
Por Gustavo (e-mail) - 8:47 PM
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The Cold Turkey
Alguma coisa nesse último episódio de The OC (Warner, quintas, 21h/1h), The Cold Turkey, não bateu comigo. Não sei se foi a forma como ele, em si, se reservou para dar rumo às coisas (Ryan esquecer Volchok, Julie se redimir da sede por vingança, Seth e Summer, etc...). Episódios de Thanksgiving, com exceção justa àqueles de Friends, nem sempre conseguem manter o nível da série. Dessa quarta temporada de The OC, este foi o pior dos episódios. Com a carga de acontecimentos, não era para sê-lo.
E eu duvido que, no fundo, você não tenha gostado do jantar com os mendigos. A melhor coisa do episódio. O ex-cliente de Sandy, o cachorrinho perdido... Hilário. A responsável? Summer, claro. Sempre ela.
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Só mais uma coisa: dá para contar nos dedos de uma mão a quantidade de vezes em que o nome de Marissa foi pronunciado na série. Percebeu? Exorcismo rola solto em The OC.
Por Gustavo (e-mail) - 12:45 PM
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Só imagem e som
Todo o primetime da Sony desta quarta - Scrubs, 30 Rock, Top Chef e Blow Out - sem legendas. Não sei se as reprises vão ser assim, também. Vamos ver.
Agora, alguém me responde: o que está acontecendo com o canal?
Por Gustavo (e-mail) - 10:52 PM
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The Girl Who Kissed a Male Model
Algum dia você conseguiu imaginar a Gina na capa de uma revista? Pensa bem. Olha para a foto do post. Difícil, né? Ela não era uma modelo, e tinha uma beleza apática. Enquanto tentava definir se era mais norte-americana que oriental, ou o contrário, a moça perdeu a chance de conquistar o júri. Tyra e Twiggy deram chances. Ela que não aproveitou.
E a Nnenna, hein? Alguém aí tem dúvida de que vai ter briga via telefone no próximo episódio? É o que dá beijar modelo durante sessão de fotos... Minha avó já dizia: "Trabalho é trabalho. Vida pessoal é vida pessoal".
Por Gustavo (e-mail) - 6:53 PM
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Repetição desgasta A Diarista e exige mudanças
Com a permanência na grade de programação da Globo, em 2007, praticamente engatada, A Diarista tem que começar a pensar em outras coisas. Sinais de desgaste são apresentados toda terça-feira, e é o caso de renovar, incluir novos toques na trama. Sob Nova Direção e, em termos, A Grande Família, vêm fazendo isto gradualmente. Casseta & Planeta, que não é seriado, mas é da área de comédia, teve obrigação de mudar algumas coisas com o falecimento de Bussunda. O setor de comédia da Globo mudou. A Diarista é a única peça que não avançou ou recuou.
As idéias para mudar são muitas. Este que vos escreve tem algumas. Vocês, que lêem, certamente também têm. Mas os telespectadores não podem interferir. São os roteiristas e criadores que devem criar as soluções. E solução só há quando os focos do desgaste são identificados. É nisso que nós podemos ajudar.
Quando a série era apenas um especial de fim de ano da emissora carioca e aspirante à programação fixa do canal, o grande brilho era Cláudia Rodrigues. Afinal, ela era uma comediante em ascensão, de talento já reconhecido, e estava em uma série que era a sua cara. A impressão que se tem, ao assistir a A Diarista, é a de que, daqui a dez anos, a atriz ainda será lembrada por esse papel. Depois de Cláudia, veio Dira Paes, que muitos defendem como uma das melhores atrizes brasileiras em atividade - e é mesmo -, com a hilária Solineuza. Ela e Marinete (a personagem de Cláudia) formam uma dupla e tanto. Poderiam, sozinhas, agüentar o tranco. Só que duas personagens entraram e quebraram um pouco dessa homogeneidade: Ipanema (Helena Fernandes) e Dalila (Claudia Mello). A questão não é de interpretação (as duas atrizes estão muito bem), e sim de perda de harmonia. Um quarteto é mais complicado de manter firme do que uma dupla. Até dá, se as personagens não destoassem. Não é o caso.
Não vou defender, aqui, a quebra do quarteto. Não. Vou fazer o certo: exigir que, para o ano que vem, cada parte desse grupo tenha mais particularidade. Dalila, Ipanema e Solineuza têm que parar de depender de Marinete para suas ações, tramas ou pensamentos. Tenho a impressão de que esse desenvolvimento separado, que sempre é benéfico para a unidade do quarteto, por incrível que pareça, só não ocorre porque os roteiristas têm medo de que alguém roube a cena de Marinete - e, acontecendo isso, a série estaria frita, já que o título é, obviamente, A Diarista. Mas isso seria duvidar do talento e força de Cláudia Rodrigues.
Com um desenvolvimento maior de personagens, a narrativa poderia quebrar a própria fórmula "Marinete vai trabalhar + vê problema no serviço + chama suas colegas = confusão e movimentação do episódio". Algumas situações já se repetiram demais, e a maioria delas beira o tédio. Na semana retrasada, quando Nicette Bruno participou, o episódio estava ótimo. Mas vejamos o episódio de ontem. Foi intragável, repetitivo. E quando a italiana oriunda do humorístico Vila Maluca, da Rede TV, apareceu, foi o ápice do desgosto. Tinha que tirar até gente da Vila Maluca, tinha?
Por Gustavo (e-mail) - 6:35 PM
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Gimenez e Dercy
Sei que nem todo mundo gosta da Dercy Gonçalves. É extremamente compreensível. Agora, acho difícil - por mais que você possa renegar - alguém não se divertir com uma entrevista desta mulher. A experiência que ela tem a condiciona a ter um dos melhores conteúdos para entrevista na tevê brasileira. Oras, são 100 anos!
E quando a entrevista envolve Luciana Gimenez, o grau da diversão aumenta. Tenho sérias restrições à apresentadora, por mais que já tenha dito, aqui, que ela seria minha Tyra brasileira no caso de um ANTM tupiniquim. Mas a falta de senso que ela tem (e não há mau sentido aí), junto com a boca aberta da Dercy, torna a entrevista imperdível. Não vi o Superpop de hoje inteiro. Mas, dos pedaços a que assisti, vi render boas gargalhadas.
Quando Dercy disse "engravidei numa Sexta-feira da Paixão sem eu querer", soube que meu dia estava ganho.
Por Gustavo (e-mail) - 2:58 AM
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Como Nip/Tuck vai ser chamado no SBT
Olha o nome "original" que o SBT vai colocar na tradução do título de Nip/Tuck, para sua exibição (em breve!): Estética.
Sem comentários.
UPDATE: Segundo a leitora Juliana, o título Estética também está contido nos DVDs da série.
Por Gustavo (e-mail) - 2:57 AM
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Melinda Gordon precisa assistir a mais de Ghost Whisperer
Melinda, Melinda. Você precisa assistir a Ghost Whisperer com mais freqüência. Ora, é o seu programa! Mas não é só por isso. Viu só o seu desempenho como sensitiva no episódio de hoje, The Ghost Within? Nem queira ver. Eu matei a história toda nos quinze primeiros minutos. Você demorou até os cinco últimos para fazê-lo. Tá mal, hein?
Assista mais ao seu programa. Por favor. É pelo bem da sanidade mental dos telespectadores.
***
Deixando a ironia de lado, o episódio realmente foi de doer. Bobinho que só. Depois de um com temática infantil, ter um envolvendo autismo tira a série de um caminho de maturidade que parecia encaminhado. E o raciocínio burro de Melinda, que parece não ter aprendido com os anos de treinamento, só prova que o episódio foi mesmo na contramão da maré.
(Só um elogio: a cena da foto do post foi linda. Aliás, todas as que seguiram aquele padrão estético, foram.)
A questão do momento, porém, envolve outra coisa: a Delia está sendo mais bacana do que a Andrea? Só eu estou achando isto?
Por Gustavo (e-mail) - 3:06 AM
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Chilique de mãe para filha
Viram o chilique uníssono de Giselle e Anna em Páginas da Vida, hoje? Típico. Bem daquilo que Manoel Carlos realmente adora - e o climão da menina expondo a própria bulimia, na seqüência, foi ainda mais do estilo do autor.
Débora Evelyn tem a cara desse tipo de papel, e se sai bem. Não é surpresa. A surpresa ficou por conta dessa moça, Pérola Faria. Eu tinha simpatizado com ela. Parecia ideal para o papel. Só que vem uma cena como essa, "forte" (entre aspas, né?), e ela decepciona. Fica parecendo só rebelde. E rebeldia pura era tudo, menos a principal motivação que ela precisava demonstrar no momento.
Por Gustavo (e-mail) - 10:42 PM
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Filmes "imperdíveis" do final de semana revelam mais sobre a televisão atual do que se imagina
Globo e Record divulgaram, desde o início da semana passada, e de forma maciça, a exibição de dois filmes "imperdíveis", para o final de semana último. Cada um a seu modo, foram filmes que marcaram - e ainda marcam - época. Porém, apesar de filmes, são obras que revelam muito mais sobre a televisão do que se imagina. High School Musical e A Paixão de Cristo partem, ambos, de temas conhecidíssimos. Trilham um caminho que dá maior abrangência ao público-alvo, aumenta o sucesso e arremata reconhecimento.
É estranha a decisão da Record de exibir A Paixão de Cristo em sua língua original - o aramaico. Certamente afugenta o público acostumado a ver nos filmes sua própria língua, o português. Mas, surpreendentemente, a presença do som original na exibição do filme de Mel Gibson foi utilizada como isca para o público. Argumento claro da emissora para dar ênfase ao "imperdível", o aramaico é uma língua difícil, incômoda e, no caso de A Paixão de Cristo, apenas um subterfúgio para fugir de outros aspectos mais importantes de um filme, principalmente quando se trata da história mais conhecida ao redor do mundo.
E o quê é que um filme como esse, mega-sucesso de bilheteria em 2004, tem a nos revelar sobre televisão? Diretamente, nada. Aliás, no campo direto, não tem a revelar nada sobre absolutamente nada. Mas a revelação começa quando a Record entra em evidência como a emissora que exibe o filme. E quando a propaganda exagerada e afobada do canal vem à tona.
Desde a estréia de Vidas Opostas, tenta-se entender o espírito de liberdade que pairou na emissora. Violência à toda hora, cenas de conteúdo sexual que duram mais de três cortes de cena, tudo isto aponta para uma nova Record. Outras novelas do canal ajudam a fixar essa idéia. O Tudo é Possível, idem, tal quais outros programas. Mas, ainda que Vidas Opostas tenha começado com uma audiência avassaladora, sua quantidade de publicidade interna - e externa - não chega a ser comparável à de A Paixão de Cristo. A parcela de bispos que mandam e desmandam na Record - e que garantem a continuidade de pérolas como o Fala que eu te Escuto, das madrugadas do canal - ainda reina soberana. O paradoxo entre o poder interno da Igreja Universal e o espírito do "liberou geral" que reina externamente nos faz pensar em uma mudança de mentalidade. Mas é assunto para outra checagem.
Na Globo, com um espírito definitivamente mais descompromissado, High School Musical, um filme do canal norte-americano (que também está em boa parte da operadoras de tevê paga do Brasil) Disney Channel - e, consequentemente, feito para televisão - pode não ter permanecido com o som original na exibição, mas também não sofreu mudança no título em inglês - talvez para criar relação com produtos licenciados que já rondam o mercado.
É um filme óbvio e raso como um pires. Tem lá seu charme, principalmente quando entra no campo musical. As canções que permeiam o filme são grudantes e atuais - logo, não é à toa que estão no topo das vendas de discos de muitos países do mundo, inclusive aqui no Brasil, antes mesmo da segunda exibição, na Globo (o filme já havia sido exibido na tevê paga). Comentário pernicioso faz-se necessário nesta hora: há muito mais de Rebelde em High School Musical do que o conveniente limite da coincidência. A novelinha adolescente latina estoura inclusive nos Estados Unidos, e High School foi criado e exibido muito tempo após a febre começar. A premissa é basicamente a mesma, e o oportunismo temático também. Acaba sendo comercialmente mais esperto por causa das músicas - as de Rebelde, por mais sucesso que façam, não têm tanta pegada.
Chama a atenção - e é isto que o filme revela - a rapidez com que a Globo trouxe o filme para a tevê paga. O Disney Channel o exibiu por aqui há aproximadamente dois meses, no estouro do filme off-tevê. Cá chegou, começou fenômeno parecido. E a Globo pegou carona. Esse tino, essa rapidez de compreender e planejar uma incursão naquilo que está em evidência é qualidade única e exclusiva da emissora do Rio. Isso não é problema. O fator de complicação está na quebra da barreira daquilo que a tevê paga é, essencialmente, e daquilo que a tevê aberta é, protocolarmente. Dois, três meses, é uma diferença injusta de transmissão dos leques de canais. Injusto para aqueles que pagam pela exclusividade. Basta olhar para a diferença de exibição de séries como Lost e 24 Horas, ou mesmo de outros filmes, na tevê aberta e paga. O que a Globo fez com High School Musical foi quebrar essa barreira para não ficar para trás do que está na moda, e acabou deixando os outros canais para trás. Esse tipo de inteligência estratégica é errado e não é qualidade nenhuma.
Por Gustavo (e-mail) - 3:18 PM
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Pit arranja namorado. Para sempre?
Seria um personagem novo em Sob Nova Direção? A forma como as coisas acabaram leva a crer que é uma história a ser resolvida no desenrolar dos próximos episódios. Talvez em um ou dois. Quem sabe a série não nos surpreende e arremata um par para Pit? Seria tão interessante incluir isso na trama-raiz quanto foi a gravidez de Belinha.
Mas, excluindo as esperanças, é preciso dizer que o episódio de ontem trouxe o pior lado de Sob Nova Direção. Além de fraquíssima, a trama do episódio ainda era pequena demais, cheia de pequenos fatos (Belinha precisando de repouso, Horário com gases, Pit inventando uma profissão...) e nenhum contexto. Quando tudo fica solto, a série perde ritmo, humor e prejudica até o elenco. Ingrid Guimarães, ontem, estava perdida no tom. Até a Heloísa Periseé, que quase nunca erra, falhou ontem. Salvou-se, do elenco, o ótimo Otávio Muller - Horácio teve, ontem, um de seus grandes momentos no programa.
No episódio anterior, com a participação de Marília Gabriela, o ritmo estava ótimo, o tom da ironia, da sátira, do encaixe das peças soltas do texto, tudo batia com as referências a O Diabo Veste Prada. O melhor do humor de Sob Nova Direção está no encontro com a própria identidade, na unidade dos personagens. Ao deixar afugentar o foco do episódio, como ontem, alguns momentos beiram o tédio. E a série é maior que isto.
***
A penúltima cena do episódio de ontem, com a declaração do possível novo namorado de Pit, foi um exemplo da falta de tom. Já tinha graça o beijo cinematográfico que os dois deram - e que batia com uma idéia irônica jogada aos poucos pelo episódio. Houve o acréscimo de um mini-take de Pit se equilibrando durante o beijo. Foi um enquadramento deselegante e desnecessário.
Por Gustavo (e-mail) - 3:13 PM
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Deer Woman
Tudo, tudo errado. Esse "Deer Woman", último episódio transmitido em Masters of Horror (FX, domingos, 22h), foi uma compilação daquilo que o terror absurdo nunca deve ser: hesitante, tonto e morno. Cá entre nós, um episódio que eleva uma história de "mulher-cervo" ao próprio título precisaria de muito ritmo para funcionar, e para ocultar a história imbecil. Não teve. Acabou tendo um resultado com medo - ou vergonha - de avançar na própria trama. É compreensível.
O episódio da semana que vem merece uma olhada, até porque tem John Carpenter como diretor.
Por Gustavo (e-mail) - 2:44 PM
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Mais que inventor
Foram muitos os inventores que passaram pelo American Inventor (Sony, sábados, 21h/01h) querendo salvar vidas através de suas invenções. Alguns deles tinham idéias realmente bacanas; outros, nem tanto. Todos vendiam a verdade através do olhar, dos gestos. Pareciam pessoas bacanas. Mas meu conceito mudou quando eu vi essa inveção da foto. Além de genial, ainda tinha um inventor sincero, com motivações reais e objetivos claros. Talvez seja a melhor invenção que eu tenha visto nas audições, junto com um kit de ginástica de um outro rapaz confiável.
Acabadas as audições, qual é seu produto favorito? E seu inventor favorito? Ainda que o programa cambaleie na execução da premissa, não é capaz de ocultar sua grande atração: o ser humano - e eu não estou falando daquele bando de jurados. Pode ficar ainda mais interessante com o fim das audições.
Por Gustavo (e-mail) - 2:35 PM
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Um Globo de Ouro para Tichina Arnold
Que atriz é essa?! Deus, ela merece um Emmy - ou, para satisfazer minha vontade em um período ainda mais curto, um Globo de Ouro. Vocês viram Everybody Hates Chris nesta sexta? Genial - o episódio e Tichina. Não houve uma única cena em que ela estivesse em um nível menor que o ótimo. O embate entre ela e a personagem de Whoopi Goldberg foi simplesmente magnífico. Os degraus da compreensão da personagem foram tão claros que chega a assustar. Isso sem falar na tocante cena com Drew, lá pelo final do episódio.
Janeiro está chegando. E que o Globo de Ouro de Tichina também esteja.
Por Gustavo (e-mail) - 1:43 AM
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Dúvida
Uma dúvida paira no ar: seria hoje o último dia de Adriane Galisteu no comando do Charme (SBT, segunda a sexta, 17h) e a próxima segunda o primeiro dia de Celso Portiolli no programa? Tudo leva a crer que sim. Mas é algo a se conferir. Afinal, It's not TV, It's SBT.
UPDATE: Quando eu falei que era algo a se conferir, eu já temia que algo de surpreendente acontecesse. E aconteceu: já nesta sexta, Celso entrou no programa. Galisteu nem pôde dizer tchau.
Por Gustavo (e-mail) - 3:24 PM
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Gilmore: Revirando os olhos

Quem acompanha este blog há algum tempo já percebeu: eu quase nunca falo de Gilmore Girls (Warner, quintas, 20h). E há um motivo para isso: toda vez que eu assisto à série, ela me deprime. Eu fico angustiado com o lado monótono de tudo ali. Não é uma série ruim. Mas é incompleta.
Essa nova temporada, por exemplo, virou um exercício de revirar os olhos. Eu assisto aos episódios e fico revirando os olhos, pensando naquilo de bom que poderia ter sido feito - ou aquilo de bom que poderia ter sido feito caso outras coisas tivessem sido evitadas. O episódio de ontem, 'S Wonderful, 'S Marvelous, foi assim. Um exemplo: na segunda foto do post, quando Lorelai está conversando com sua amiga, as duas começam a brincar com a voz. O conteúdo da cena (conselhos amorosos de amiga para amiga) tinha substância para evoluir. A realização pareceu um zumbido de pernilongo. Por mais que o objetivo fosse esse, dava para impedir que uma brincadeira com a voz não fosse o centro da cena. Quando eu olhei a Laura Graham bem no fundo dos olhos, eu acabei não vendo uma atriz concentrada no momento.
Outro momento perdido: a cena com Chris, Lorelai e Emily no carro, logo após esta última sair da cadeia. Estava tão sonolenta, tão sem um ritmo de pegada, que ficou vazia. E poderia ser bem engraçada, ou ao menos o suficientemente interessante para calar os telespectadores engajados em falar no sofá. Idem para a cena em que Emily é presa: cena óbvia, clichê, que poderia ter sido melhor.
Rory, por outro lado, teve cenas ótimas (a da exposição de arte, por exemplo) - algumas outras eram cenas sem graça alguma no papel, e ela fez ficarem bacanas. Alexis Bledel não perdeu nenhuma cena de sua personagem. Não precisei revirar os olhos quando a Rory estava em cena. Ou vai ver eu precisaria ter revirado, e as cenas que antecederam as de Rory me fizeram cair no sono... e eu levantei logo após.
Não, eu não dormi em nenhum dos episódios. Mas a sensação que fica na minha cabeça quando eu penso na série, até agora, é a de sono. Mau sinal.
***
Fãs da série falam que sem a participação efetiva de Amy Sherman-Palladino na composição dos episódios, a série mudou para a pior. Eu digo, apenas, que mudou. Talvez, mais para frente, eu possa dizer que piorou. Ainda não é o caso.
Por Gustavo (e-mail) - 3:09 PM
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Faltou a Sony falar que Kevin Federline só aparecia por segundos
Você já deve ter sacado: CSI (Sony, quintas, 22h) está em uma fase experimental. Todos os seus episódios nesta temporada foram diferentes entre si, seja no ponto de partida, na temática, no desenrolar, ou qualquer outra coisa. Acontece que, até agora, só o Toe Tags funcionou. O resto ficou só na promessa.
O de ontem, Fannysmackin', foi integralmente tedioso. E mais: foi previsível. A trama foi tão boba que, para comprovar, basta ver a forma como a Sony vendeu o episódio: pela participação corriqueira de Kevin Federline. Faltou dizer, no comercial, que só precisava ligar a tevê nos poucos segundos em que ele aparecia - e olhe lá.
Como todos os outros episódios desta temporada (e eu incluo o bacana Toe Tags aqui), este foi um episódio sem alma. Não houve um relapso de ser humano nos personagens, nos fatos. As cenas de espancamento (com direito a uma delas sendo bem pesada) pareciam uma tentativa desesperada de marcar o momento, dar um glamour ao caso do episódio - e quanto mais CSI fazia isso, mais deteriorava a frágil história da vez.
Eu até poderia fazer um elogio à agilidade do episódio. Não houve, de fato, um momento morto. As coisas desenvolviam a todo vapor. Só que, como eu falei anteriormente, o resultado foi tedioso. Por um simples motivo: a correria do desenrolar dos fatos lembrou alguém cavando areia para achar ouro. Quanto mais cavava o mesmo buraco, nada achava. E aumentava o rombo no próprio patrimônio.
(Pense no cansaço de quem está cavando, por um momento. Viu o tédio?)
CSI é uma série inteligente o suficiente para achar o ouro. Talvez nem precise cavar para isso. Basta parar de fazer experimentos no corpo de seus episódios, e começar a fazê-lo na trama. Vai acabar descobrindo que é muito mais útil (e eficaz) seguir esse caminho.
***
Que fique claro: estivesse a série fazendo direitinho a mudança no corpo dos episódios, eu apoiaria. Mas já estamos no quarto episódio e isso ainda não resultado em nada interessante ou inteligente (Toe Tags funcionou por outros motivos).
Por Gustavo (e-mail) - 2:47 PM
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OC vai ao México
Episódio ainda melhor que o season première, este The Gringos, em The OC (Warner, quintas, 21h). As reações que cada personagem teve à morte de Marissa, no season finale da última temporada, já haviam sido mostradas - faltava apenas desenvolver um pouco mais.
E o alicerce principal para esse desenvolvimento é Ryan. O ex de Marissa teve o lado psicológico perfeitamente afetado para conduzi-lo - e a Julie, do outro lado, lhe atormentando, ajuda ainda mais. Não sei se já falei isso por aqui, mas, quanto mais atormentado o personagem estiver, mais ele colabora com a trama (desde que não a empaque), esteja ela em qualquer nível da dramaturgia.
Ryan, atormentado, decidiu ir ao México, na "caça" ao "assassino" de Marissa. Teve Seth como companheiro de viagem, falando sem parar, querendo dar lições e... ficando bêbado (foto do post). Não deu em nada, a "caça" (Seth "Judas"). Ainda não sei se Ryan vai desistir, mas a conversa de Julie com Sandy, no final do episódio, deu uma sensação de que ela vai insistir para que ele continue. Veremos.
Incrível como, mesmo com toda a ação centrada na viagem de Ryan e Seth, ainda sobrou um lugar de destaque para Summer. Ela, o hippie e a árvore, lá no final, formaram uma cena tocante, ideal para fechar o episódio. Por um momento, passou pela minha cabeça que ela, como ambientalista adolescente, valeria mais a pena do que com Seth. Mas que a máquina de café expresso no seu quarto vai ser uma tentação a voltar para o mundo urbano, ah, isso vai.
Por Gustavo (e-mail) - 2:28 PM
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A abordagem certa da atualidade

Viram Pé na Jaca ontem? Quem viu, certamente deve ter presenciado a confirmação de que esta é, de fato, uma novela atual. E uma novela atual que mistura irreverência no tom exato - como o horário das sete tanto necessita, cronicamente.
Houve dois fatos, no capítulo, que lembraram algumas coisas que há semanas ou meses assolavam diariamente a atração seguinte da grade da Globo, o Jornal Nacional: crise nos aeroportos e CPIs. O primeiro tema teve abordagem rápida: Fernanda Lima chegou ao aeroporto, viu uma fila e logo foi direcionada à sala de espera, soltando, no caminho, um "já fui melhor atendida por aqui" ao ar. Simultaneamente, uma CPI ocorria em pleno Congresso, e envolvendo o personagem de Murilo Benício - atrapalhado, como sempre.
E, lá na CPI, havia um adicional: a briga entre os senadores. Para quem, vez por outra, pára na TV Senado e acompanha algum discurso ou debate (meu caso), deve ter sido fácil identificar a referência a dois senadores: Heráclito Fortes e Ideli Salvatti. Infelizmente, essa foi uma das poucas coisas que não funcionou na seqüência da CPI: o mérito da impertinência em cutucar o Senado estava lá, e foi bacana acompanhar a isto, mas, dramaturgicamente, a fronteira que cruza a esperteza de uma referência atual e o exagero de seu uso, foi cruzada. Houve, sim, o abuso. Pode até ter sido engraçado, como foi na maior parte do tempo, mas não contribuiu em nada com o ritmo.
Ainda assim, Murilo Benício é um ator que tem timing impecável, e fez valer toda a seqüência. Foi, em termos, tudo aquilo que esperamos de Pé na Jaca até o fim.
No horário das nove, em Páginas da Vida, o atraso na entrega dos capítulos dá a Manoel Carlos o poder de incluir referências atuais mais específicas ainda (o assassinato de certa socialite carioca, a morte de certa modelo por anorexia...). Por falta de objetividade, acaba não tendo influência narrativa nenhuma. É apenas tema para papo - ou para sermão de mãe. Não funciona.
Por Gustavo (e-mail) - 2:12 PM
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