Sábado, Dezembro 31

Feliz 2006!

O blog Televisionando, que passou o ano de 2005 inteiro comentando televisão para você, não poderia deixar de desejar a todos os leitores o melhor ano de 2006 possível na vida de cada um. E, é claro, que a televisão também seja melhor do que foi neste ano.

Que em 2006...

...você possa realizar todos os seus sonhos.

...você consiga ser uma pessoa melhor.

...a desigualdade social diminua.

...acabem todas as guerras.

...a corrupção cesse de uma vez.

...a criatividade paire sobre quem cuida de televisão.

...o veículo televisão se torne a melhor opção de informação, entretenimento e instrução.

Esses foram os votos do blog Televisionando e seu editor, Gustavo Cruz e Silva, que convida você a continuar acessando este endereço com o intuito de debater e fazer da nossa televisão algo melhor!

UM PRÓSPERO E FELIZ ANO NOVO!

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Publicado por GUSTAVO CRUZ E SILVA às 2:05 PM

Sexta-feira, Dezembro 30

Comunicado

O blog estará de recesso na segunda e na terça-feira.

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Publicado por GUSTAVO CRUZ E SILVA às 2:50 PM

Quem vai ficar com Mário? tem dificuldade em prender telespectador

Assim como Correndo Atrás, Quem vai ficar com Mário? já havia sido transmitida como especial de final de ano em 2004. Naquele ano, entre os dois, preferia Correndo Atrás. Agora, em 2005, sou obrigado a preferir Quem vai ficar com Mário?. Não por méritos deste último, mas sim pela incompetência do primeiro.

Mário (Thiago Lacerda) é um crítico gastronômico renomado e solteirão, sempre a procura da mulher ideal para sua vida, apesar de demonstrar sua face de mulherengo em muitas situações. Ele encontra outra crítica gastronômica, vivida por Letícia Spiller, e que parece ser uma mulher ideal para ele. Só que há alguém seguindo Mário para tentar matá-lo, e ele está com medo. Em meio às confusões amorosas de Mário, existem outros personagens, como seu irmão (Marcelo Faria), sua cunhada e um amigo gay.

A diferença principal entre o episódio do ano passado e o deste ano foi o fato de que o especial ganhou um texto melhor acabado, com melhores diálogos e personagens melhores em questão de desenvolvimento. Ainda há um tom de chatice que ronda o programa e que quase nos faz trocar de canal. E eis que aí reside o maior problema de Quem vai ficar com Mário? e que provavelmente não vai lhe dar a chance de entrar na programação da Globo no ano que vem: falta um elemento que prenda o telespectador quanto ele estiver para trocar de canal.

O elenco não tem nada de especial. Thiago Lacerda está comum e com o tom bairrista natural dele mesmo. O elenco de apoio (muito pequeno, por sinal. Esta é uma série de poucos personagens) também não apresenta nada de surpreendente. Ou seja, o elenco não prende ninguém na frente da televisão.

Então, o que fará o telespectador ficar ligado em Quem vai ficar com Mário? Existem duas alternativas: ou o programa, caso entre na grade do canal (o que eu repito, é difícil), deve ficar marcado por ter participações especiais em cada especial, ou deve ser incluída alguma trama de mistério ou outro elemento interessante que dê continuidade da trama, para que ela não se baseie apenas em esquetes.

São duas alternativas interessantes e que devem ser consideradas. Mas que fique bem claro: isso apenas aumentará o interesse do telespectador, mas não a qualidade da série. Esta é outra história.


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Publicado por GUSTAVO CRUZ E SILVA às 2:44 PM

Miguel Falabella faz sitcom brasileira com formato americano

Dois casais se conhecem. O homem de um casal se apaixona pela mulher do outro casal. E vice-versa. Há uma troca de casais. E, por ironia do destino, esses novos casais vão morar frente a frente em um andar de um apartamento. Os novos casais são Diogo Vilela e Débora Bloch e Miguel Falabella e Adriana Esteves. O programa é Toma Lá dá Cá.

A primeira constatação que o telespectador brasileiro que já conhece sitcoms americanas como Friends, Will&Grace e Two and a Half Man e suas típicas risadinhas ao fundo pode ter é a de que Toma Lá dá Cá é um sitcom americano importado para o Brasil. O texto parece demais com os de Martha Kauffman, criadora de seriados como Friends e Joey e de muitos outros. Só que não, o texto é brasileiro. O seriado é brasileiro. Os atores são brasileiros. E isto choca.

O Brasil acaba de se submeter a um processo de americanização, algo que muitos outros críticos de tevê já citaram antes, mas que só agora isto é provado. A inclusão de Toma Lá dá Cá na programação global (o que deve acontecer, e com justiça) só tende a me forçar a crer que, de fato, estamos entrando numa era de globalização da televisão, e que isto deverá alterar mesmo a minha análise.

Eu gostei bastante de Toma Lá dá Cá. Ri bastante, sorri bastante, e tive o prazer de comentar com muitas pessoas o quanto havia gostado do especial. O elenco estava excelente, o texto teve tiradas incríveis, e o fato de ser com público tornou o especial ainda mais especial. O prazer de ver Toma Lá dá Cá é comparável ao de ver a uma peça de Miguel Falabella, escrita e atuada por ele. Só que é na televisão. E isto é um ganho para todo mundo.

Há apenas uma coisa que Toma Lá dá Cá precisa provar para mim: seu humor não é mera cópia do finado Sai de Baixo e seu objetivo não é ser uma espécie de reedição do mesmo. E isto se prova com humor que faça rir de verdade, por ele mesmo, com originalidade.

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Todo mundo já deve ter percebido, mas não custa ressaltar: em Toma Lá dá Cá, a gente viu muitos atores de A Lua me Disse, novela que antescedeu Bang Bang. Poderia até ser um ponto negativo, mas se Miguel Falabella prefere trabalhar com pessoas em quem ele confia, resta a nós assistir e esperar que o que esteja no ar seja bom.

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Publicado por GUSTAVO CRUZ E SILVA às 2:20 PM

Quinta-feira, Dezembro 29

Os Amadores é o especial espírita

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Peço mil perdões pelo atraso na publicação da coluna. Foram "problemas técnicos". Mas, enfim, eis que ela está aqui.

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Os Amadores, mais um dos especiais de fim de ano da Globo, é a grande prova de que a emissora da família Marinho se tornou, sim, uma emissora com um lado espírita. No especial, foi possível ver suavemente um toque de vida após a morte, com um médium, um centro espírita, o bastante para provar que, mesmo não sendo um especial sobre espiritismo, é, ao menos, um especial que compreende a Rede Globo e aqueles que mandam por lá.

A história é a seguinte: quatro rapazes vivem uma espécie de experiência de quase-morte, vão para a porta do céu e lá se encontram. Só que eles acabam por não morrer, e, ao voltar para a vida normal, resolvem se tornar amigos e tentar melhorar suas respectivas vidas, com um ajudando ao outro. O título Os Amadores está ligado ao fato de que eles são amadores nessa tarefa de melhorar de vida.

Maior mérito do especial: o elenco. São quatro grandes atores (Murilo Benício, Cássio Gabus Mendes, Mateus Natchergaele e Otávio Muller) com ótimos atores coadjuvantes (Patrícia Pillar e Emiliano Queiroz), que transformam a história em algo realmente prazeroso de se ver, algo divertido e bom. Existem atores que se destacam mais que os outros em uma ou outra cena, como Cássio Gabus Mendes, e isso surpreende, pois eu nunca dei muita coisa para Cássio, mas já dei muito para Murilo Benício, que está chato no personagem.

Só que, olhando para fora do elenco, começam a aparecer alguns problemas em cada canto, a começar pelo roteiro. A cena crucial para o desenvolvimento da história (quando ambos se encontram no céu) dura um piscar de olhos, e existem personagens, como do Murilo Benício, que ficam minutos explicando o que está acontecendo, algo redundante, já que não é novela, e chato, já que é cansativo. Além disso, existe uma certa fórmula que Os Amadores segue, e isto pode ser um problema quando não há um protagonista: assim que um começou a resolver o problema do outro, o roteiro gastou minutos com cada um, em seqüência, esbanjando previsibilidade.

A coisa toda acaba no final sendo divertida, bem acabada e interessante, ainda que o telespectador possa desistir no meio do caminho. Há uma grande chance de entrar na grade de 2006, apesar do elenco ser muito compromissado. E, para isso, o seriado tem que deixar de ser amador em muitos quesitos.

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Vou deixar um rápido comentário sobre o Vídeo Show Retro 2005: houve um avanço em edição, se comparado ao do ano passado, e os apresentadores pareceram um pouco mais soltos. Em alguns momentos, os dados vieram rápidos demais, e por vezes incompreensíveis. Mas, no fim, ficou impossível não se divertir.

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Publicado por GUSTAVO CRUZ E SILVA às 3:23 PM

Terça-feira, Dezembro 27

Comunicado

O blog está de férias. Porém, como temos compromisso com nossos leitores, estaremos cobrindo os Especiais de Fim de Ano da Rede Globo enquanto eles ainda estiverem no ar, com as típicas colunas. Assim que o último for ao ar, anunciaremos a data do retorno. Lembre-se: amanhã já tem coluna!

Atenciosamente,

Gustavo Cruz e Silva.
tavinhofpolis@globo.com

PS: O mesmo vale para o site TV Magazine.
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Publicado por GUSTAVO CRUZ E SILVA às 12:02 AM

Segunda-feira, Dezembro 26

Sucesso de Levando a Vida é graciosidade da história

Não existe necessariamente uma fórmula para se criar um especial bom o suficiente para conseguir entrar na grade da Globo. Correndo Atrás, ano passado, tinha uma boa fórmula. Neste ano, porém, desandou em todos os aspectos. A verdade é que tem que ser humilde, não prometer muita coisa, e agradar. Basicamente, foi isto que aconteceu com Levando a Vida, o especial da última sexta-feira.

Grace Kelly (Juliana Paes) é um moça simples e de condição social baixa que é apaixonada por Formiga (Lázaro Ramos), outro rapaz de condição social baixa, e que ganha a vida como motoboy. Grace acha que Formiga deve firmar algum compromisso com ela, e ele lhe promete um anel de noivado. Durante o episódio piloto, foi isto que aconteceu: Formiga passou por muitos apuros em prol de um anel de noivado.

É evidente que a história não é muito criativa, mas a forma como o roteiro consegue colocar na tela o romance dos protagonistas, acaba soando gracioso e simpático. Ainda falta um pouco mais de comédia para tornar o seriado uma comédia de verdade, e não apenas uma comédia romântica. Até seria interessante se a proposta fosse essa, ser mais que um mero pastelão, mas daí a conseguir audiência é um passo muito grande e difícil.

Só que se falta comédia para a coisa andar, não falta talento no elenco que nos prenda a atenção, principalmente nos protagonistas. Juliana Paes está uma graça e no tom certo como Grace Kelly, e Lázaro Ramos transformou seu formiga em um verdadeiro cavalheiro moderno. Os coadjuvantes não são lá grande coisa. André Gonçalves peca por superinterpretar demais seu personagem, e os outros parecem estar fora de órbita. Mas Juliana e Lázaro estão tão bem que ofuscam proposital e felizmente o resto do elenco.

Mas existem problemas em Levando a Vida. Em determinado momento, Formiga e Grace recebem uma ligação do personagem do André Gonçalves avisando que a personagem da Regina Dourado tinha sumido. Formiga acaba pedindo uma explicação, e entra no ar uma vinheta do tipo "personagem tal News", e este acabava contando sua explicação como se fosse um repórter. Ora, se o programa é de comédia, não há necessidade de acabar com o ritmo cômico para fazer gracinha. Acaba sendo uma tremenda besteira, algo realmente chato. Outro problema a gente já conhece de A Diarista: assim como a diarista principal deste seriado, o motoboy daqui faz muita coisa, menos trabalhar.

São coisas que devem ser consertadas, até porque não é para se encaixar em um padrão, mas sim para tornar Levando a Vida divertido. E, diferentemente do que aconteceu com Correndo Atrás, eu acabo de ver uma possibilidade real de programa que venha a se encaixar em 2006 na programação da Globo. Outros especiais ainda apresentarão seu conteúdo, mas até agora, estou com este aqui. Me diverti, ri, sorri e me encantei com os protagonistas. Isso é o que importa.

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Publicado por GUSTAVO CRUZ E SILVA às 12:35 AM

Sexta-feira, Dezembro 23

Correndo Atrás tem ótimos atores, mas nenhuma história

Me lembro de na sessão de especiais do ano passado, um certo Programa Novo me surpreender com sua premissa e sua competente execução. Era um programa sobre quatro rapazes (os mesmos do Sexo Frágil) que precisavam colocar um programa no ar, mesmo sem ter idéia alguma. Atores bons, história nenhuma. Essa é a melhor definição que se pode dar ao especial de fim de ano apresentado nesta quinta-feira, Correndo Atrás. Os atores, sem exceção, são ótimos. Só que não têm oportunidade para revelar seu verdadeiro talento. Se é que Luana Piovani, Danton Mello, Taís Araújo e os outros precisam provar alguma coisa para a gente. Eles são bons, a gente sabe muito bem disso. E a sorte deles é justamente o fato de a gente já saber que eles são bons, caso contrário, eles estariam perdidos se fosse essa a oportunidade deles estrearem na televisão e mostrarem tudo o que tem.

Esse Correndo Atrás, para quem se lembra, já tinha tido um episódio especial no ano passado, com praticamente o mesmo elenco fixo e o mesmo mote. A diferença é que antes a história parecia ter alguma mínima chance de melhorar, e, dos especiais, foi o que mais me chamou a atenção. Este ano, porém, a história de típicos brasileiros com diploma debaixo do braço e sem emprego que formam uma agência (de nome Trampo) que faz de tudo por um trocado simplesmente enfraqueceu, perdeu o encanto, a criatividade, a vontade de entrar no ar. Foram apenas especiais, mesmo. Quem produziu deve ter se dado conta de que, este ano, eles não tinham chance de ganhar um lugar ao sol. Talvez tenha tido um pouco mais de movimentação que em 2004, com mais tramas paralelas, só que com muito mais bagunça, péssimo desenvolvimento narrativo e chatice.

É justamente aí que eu queria chegar. Correndo Atrás foi chato. Não aquele chato que você vê com um riso maroto no canto da boca e quando acaba, diz para quem estiver ao seu lado que tinha sido uma bobeira, mas tinha sido divertido. Foi uma chatice tão grande que me forçou a rolar os olhos por muitas vezes, ficar com o controle na mão quase ao ponto de me fazer mudar de canal. É mais que apenas chato, é constrangedor, insuportável. E ruim (gente, que coisa foi aquela da câmera não parar quieta! Inovação? Pelo amor de Deus! Nunca, aquilo era relaxo. E os personagens em um confessionário, como se fosse Big Brother Brasil? Deixa ainda mais sem graça as situações).

Pode correr muito atrás de uma vaga na programação da Rede Globo em 2006 que, mesmo assim, vai ficar com atores com um currículo invejável debaixo do braço, só que sem a vaga.

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Quero desejar um feliz natal para todos os leitores do blog Televisionando, com muita paz e luz. Que o Papai Noel deixe muitos presentes, mas que também deixe muita felicidade para todos vocês. Ótimo Natal para todos!



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Publicado por GUSTAVO CRUZ E SILVA às 1:43 AM

Quinta-feira, Dezembro 22

A equação de sucesso de Roberto Carlos

Tão clássico quanto um peru no natal e queima de fogos no reveillon é ver Roberto Carlos apresentando seu especial assim que o fim do ano chega. Para quem não gosta do cantor, é uma tortura. Mas para quem gosta, é um prato cheio de emoções. Agora, a grande questão que fica quando a gente vê o tal Roberto Carlos Especial é o que é que aquele homem tem para agradar tanta gente e todo ano aparecer durante mais de hora na nossa TV.

Eu até gosto de algumas músicas do Roberto Carlos. Admiro sua devoção à falecida esposa e sua habilidade de palco. Mas pára por aí, já que não vou muito com a cara de cantores monocórdicos, e esse é o caso do Roberto. Só que eu tenho plena consciência de que pouquíssimos artistas brasileiros tem o dom que ele tem de conseguir agradar tanta gente e ocupar um espaço na grade da Globo simplesmente por ser quem é. Querendo ou não, ele é um sucesso.

Na realidade, o segredo de Roberto Carlos (e o que o leva a ser um sucesso) é uma equação extremamente bem sucedida e infalível. Ela mistura popularidade, carisma e lábia. Roberto Carlos uniu seu carisma para ser um dos cantores mais populares do mundo. Evidentemente, carisma não é tudo. Então, ele uniu ao carisma e à popularidade uma lábia irresistível. Quem viu o Roberto Carlos Especial deste ano inteirinho deve ter notado que, no final, ele falou uma porção de elogios à sua amada Maria Rita. Não que isso seja falso (pelo contrário, eu acredito no amor de Roberto Carlos), só que tem uma lábia para falar aquilo com uma verdade que o torna mais que outros artistas. Ele tem talento, mas a equação popularidade+carisma+lábia=sucesso é a razão da marca Roberto Carlos ser tão forte.

É por isso que tantos cantores tentam, tentam, mas morrem na praia por não ter algum destes elementos. Cantores não são os únicos: na televisão, apresentadores como Zeca Camargo fracassam por não ter popularidade, e atores como Vera Holtz não chegam lá por lhe faltar lábia. Agora, existem exceções absurdas: Faustão só tem popularidade, e esta, ainda assim, foi conquistada por algum poderoso da Globo ter tido um delírio e o contratado.

E é justamente ao que eu queria chegar: muitas vezes, basta apenas estar em evidência para ser um sucesso. Não é preciso merecer o sucesso, e sim apenas tê-lo. Fazendo uso da equação de Roberto Carlos, se você não faz sucesso, pode fazê-lo. Mas se você já faz e usar a equação, ao menos vai dormir com a consciência tranqüila de que seu sucesso é merecido.

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No especial deste ano, foi confirmado algo que eu já havia citado na coluna dos primeiros especiais da Globo, alguns posts abaixo: falta na emissora alguém realmente capaz de fazer uma edição boa de musicais. Por muitas vezes, era preciso piscar o olho pela confusão visual.

E comprovou outra coisa que eu já tinha na minha cabeça: que o especial do Roberto Carlos é muito longo. E cansativo. Salvo as participações de convidados, que por muitas vezes são mais legais do que o próprio Roberto em si.

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Publicado por GUSTAVO CRUZ E SILVA às 1:33 AM

Quarta-feira, Dezembro 21

Sete motivos para o fim de uma série

A coisa mais chata que pode acontecer para quem gosta de séries é começar a assistir uma para, depois, descobrir que ela foi cancelada. Já aconteceu tanto comigo que, sinceramente, eu vejo qualquer série com um pé atrás. Só que, mais chato do que você começar a gostar de uma série e ela ser cancelada é você ficar anos vendo várias temporadas de uma série até ela ser cancelada. É o caso de Will&Grace. Passei oito anos desenvolvendo meu amor pela série até descobrir que esta oitava temporada é o final de tudo. É triste, eu sei.

Já conversei com muita gente que sofre com esse mesmo problema de paixão por séries que, ou são canceladas, ou acabam após anos de caso de amor com o telespectador. Ninguém gosta, é verdade. Eu, pelo menos, tenho a sorte de conseguir ocupar minha cabeça com outras séries, esquecendo rapidamente a cancelada.

Neste final de ano, a gente fica vulnerável a emoções e começa a querer que tudo dê certo no ano que vem. Eu não quero que, em 2006, tenha novamente problemas com séries canceladas. Um dia eu não agüentar mais.

Assim, criei uma lista de sete motivos que levam uma série a ser cancelada. Não são todos, é verdade. Mas se cada produtor conseguir se livrar de boa parte deles, o telespectador não vai ficar triste. Vamos à lista.

A audiência: É o fator principal para determinar o sucesso ou o fracasso de qualquer programa, não exclusivamente séries. O problema aqui é que existem séries canceladas com menos de dez episódios, o que é um absurdo. Todo programa precisa de um tempo para ganhar o telespectador. Em algumas vezes, tentam fazer um espetáculo visual bagunçado do início, mas é um exagero desnecessário. Melhor é fazer algo bom de verdade. O telespectador percebe.

Idade do elenco: Foi a lição principal do último episódio da ótima Cidade dos Homens, na Globo, semana passada. No episódio, os atores tinham envelhecido demais para continuar atuando como adolescentes. Não colava mais. É preciso se pensar no caso, se a série tiver em seu mote principal algo relacionado com a idade dos personagens. A finada Reunion, da Fox, começou com personagens no colegial. Fiquei pensando em quantos anos eles rodaram para estarem tão velhos.

Ser cult: Arrested Development é uma série cult interessantíssima. Tem um estilo de direção peculiar e um enredo particular. Mas é cult, tem um público restrito, acaba sendo, ou série para crítico elogiar, ou série para nerds. É preciso ser popular, chegar a qualquer público, independente de sexo, idade ou faixa social. E isso é muito complicado. Melhor exemplo atual: minha paixão, Desperate Housewives.

Roupagem antiga: Eu sei que aquelas risadas do fundo nas séries de comédias são chatíssimas e a coisa mais antiga do mundo, mas ainda funciona. Só que não vai durar muito. Principalmente porque é preciso, atualmente, se adequar a uma roupagem nova, tanto visual quanto de conteúdo. Melhores exemplos da comédia do futuro: Scrubs e Everybody Hates Chris. Pode ser até que mesmo com as risadinhas se consiga uma temporada com todos os episódios. Mas dificilmente mais que isso.

Idéia sem objetivo: Não adianta você ter uma idéia para fazer uma série sobre uma mãe solteira socialite que cuida de duas filhas totalmente sem classe. Mesmo que funcione no caso de fazer o telespectador chorar ou rir, é preciso querer passar alguma mensagem pela história. Ou criticar algum hábito de quem assiste ou parodiar o que está em evidência. Senão não dura nada.

Não ser original: É o mais complicado, e é o que mais ferra com alguns seriados. Vamos pegar um exemplo brasileiro: saiu na mídia que a Record quer fazer uma versão de Malhação para 2006. Se for essa a idéia, ser uma nova Malhação, pode tirar o cavalinho da chuva. Muita gente chama Commander in Chief, da Sony, de novo The West Wing. Só que a série ganha justamente por não ser mais uma série sobre política, e sim políticos. Só que é preciso, também, ser original sem ser cult. Outro obstáculo.

Cansar: Will&Grace está saindo do ar com o argumento de ter cansado durante oito anos, assim como Alias por não ter sido inovadora durante cinco anos. Eu não concordo com nenhum dos dois, pois ainda gosto de ambos, mas se o público cansar, se a série começar a pecar por falta de idéias, é porque alguma coisa precisa ser revista, e urgentemente.

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Publicado por GUSTAVO CRUZ E SILVA às 2:14 AM

Terça-feira, Dezembro 20

Melhores do Ano 2005

Preciso confessar uma coisa: neste hobby de escrever colunas sobre televisão, não há nada mais prazeroso para mim do que fazer listas sobre os melhores do ano, mesmo que o ano tenha sido um tanto quanto ruim. E este é o caso de 2005: foi um ano relativamente fraco em dramaturgia, decepcionante em jornalismo (com o aumento do noticiário político, o mínimo que deveríamos esperar era que o jornalismo televisivo brasileiro evoluísse, o que não aconteceu) e com programas comuns sem sair do... comum. Nem foi um ano comum em si, foi um ano ruim, desanimador. Se eu não gostasse disto que faço, certamente abandonaria a coluna.

Agora que achei uma brecha para publicar a lista, vamos fazê-lo logo. É lógico que muitos poderão não gostar do que eu publicar, e muitos poderá simplesmente gostar. O importante é ter opinião sobre o que for apresentado. Depois de tanto televisionar, o Televisionando agora apresenta uma coisa mais concreta e direta.

Senhoras e senhores, moças e rapazes, meninos e meninas, eis que eu vos apresento os Melhores do Ano 2005.

OBS: Belíssima não entra, é claro.

Melhor Ator

Uma categoria complicada, porque poucos atores apresentaram um bom desempenho em novela neste ano. Fica difícil escolher entre os principais, mas o melhor foi Caco Ciocler, como Ed, de América. Foi o trabalho mais rico em detalhes que vi neste ano, sem dúvida. Caco é grande ator, e seu magnetismo sobre o público ficou provado pelo fato dele ter revertido o jogo, conquistado a gente, e ter terminado com a mocinha.

Melhor Atriz

Muita gente vai achar que eu estou maluco, mas foi Flávia Alessandra a melhor, sem dúvida. Não me lembro de ter gostado de nenhuma interpretação dela, mas desta vez eu me apaixonei pela Cristina de Alma Gêmea. Foi outro trabalho detalhado e que me surpreendeu, já que a personagem se dá tão bem toda hora que poderia ser irritante. Mas mesmo sendo muito má, ela é apaixonante.

Melhor Ator Coadjuvante

Bang Bang é algo deplorável, ruim de verdade. Talvez a única coisa boa seja Mauro Mendonça, o Paul Bullock da novela. Ele achou o tom certo da grossura exagerada que gera a comédia da novela. Paul pode até ser o vilão da novela, mas é o personagem que mais me fez rir, por incrível que pareça.

Melhor Atriz Coadjuvante

Se Xica da Silva fosse uma produção deste ano, Drica Moraes ganharia um prêmio aqui. Mas não é. É reprise. Ainda assim, a trabalho que ela faz em Alma Gêmea me leva a crer que o prêmio é dela, sem dúvida. Ela conseguiu fazer uma personagem importantíssima continuar a ter importância, mesmo que ela pareça ser o zero à esquerda mais divertido e bem composto do ano.

Melhor Novela

Eu poderia muito bem dar o prêmio à novela A Lua me Disse, que foi uma boa novela, e eu deixo registrado isto aqui. Também poderia premiar Essas Mulheres, outra boa novela. Mas me responda: qual novela foi divertida, sutil e fez sucesso merecido neste ano? Alma Gêmea, é claro. A novela de Walcyr Carrasco ainda está no ar, cumprindo com competência o papel de programa imperdível que todo mundo gosta de ver.

Melhor Programa de Auditório

Me surpreendi ao descobrir que muita gente gosta de Family Feud, um programa do Silvio Santos, muito sedutor. Não é o melhor do ano, mas só quero deixar claro que é mais do que sua fórmula nos apresenta. O melhor do ano foi Caldeirão do Huck, ainda o programa mais correto e menos arrastado de todos. Não é um exemplo total a ser seguido, mas se dermos conta que apresentadores como Gugu e Faustão ainda dão audiência, o mínimo que se pode querer é Luciano Huck seja o ponto de partida.

Melhor Reality Show

Roberto Justus ganhou mais desenvoltura, a edição ficou melhor acabada e o programa, em si, ficou bem mais agradável do que na primeira edição. O Aprendiz foi o reality show do ano. Ah, sim: o resultado também foi o mais justo em um reality show no ano.

Melhor Telejornal

Por ter começado no meio de uma turbulência política sem igual e não ter perdido o ritmo, o SBT Brasil se mostrou a melhor opção para se informar no ano, extremamente imparcial. Teve a reportagem da Coréia do Norte com a Ana Paula Padrão, que foi imperdível.

Melhor Destaque Jornalístico

Ela saiu da Globo, pegou uma emissora perdida no jornalismo, reergueu este setor e ainda fez uma reportagem incrível em um país onde nenhum telejornal brasileiro tinha entrado antes. Ana Paula Padrão, e sua luta no SBT, foi o grande destaque jornalístico do ano.

Melhor Programa

Hoje é Dia de Maria (as duas jornadas) foi incrível. Simplesmente uma das melhores obras de arte (sim, porque se não é isso, eu não sei o que é) de todos os tempos (olha o meu atrevimento) na televisão brasileira (diminuiu um pouco o impacto, né?), Maria encantou quem parou de fazer tudo para apreciar cada coisa da obra. E, além de tudo, foi uma das poucas coisas que me fez chorar neste ano.

Melhor Apresentador(a)

É complicado escolher, mas o prêmio vai para Adriane Galisteu, apresentadora do Charme, no SBT, que discutiu com Silvio Santos, teve seu horário mudado, sofreu com audiência, mas não deixou seu programa ser menos do que um passatempo agradabilíssimo. E ela, uma apresentadora pra lá de carismática.

Melhor Programa de Entrevista

Eu adoro a Mônica Waldvogel. Poderia simplesmente odiá-la só por fazer parte do ridículo Saia Justa (cada vez pior), mas em Dois a Um, ela compensa tudo. Programa das madrugadas de domingo do SBT, ele deve ser descoberto. E merece um horário muito melhor, também.

Revelação do Ano

Vou dar para dois: Carolina Oliveira e Ailton Graça. Ela me fez chorar em Hoje é Dia de Maria e se firmou como atriz, ele me fez adorar o casal Islene e Feitosa, além de me fazer rir e sentir ódio da Creuza.

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Antes que me peçam a lista estrangeira, basta olhar meus comentários sobre o Globo de Ouro. As respostas estão ali.

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Publicado por GUSTAVO CRUZ E SILVA às 12:33 AM

Segunda-feira, Dezembro 19

Primeiros especiais de fim de ano da Globo são uma grata surpresa

Na coluna do post abaixo, você leu a programação dos especiais da Rede Globo para este fim de ano. Eis que, nos dois primeiros que nos foram apresentados, Estação Globo e Clara e o Chuveiro do Tempo, podemos identificar logo de cara que tem potencial para serem muito mais do que apenas especiais. A única coisa de especial é a existência de ambos.

O primeiro deles, Clara e o Chuveiro do Tempo, é um infantil básico. Conta a história de uma garota cujo avô cientista-maluco cria uma espécie de máquina do tempo, que leva as pessoas para o passado. Então já se tem uma mínima idéia do que pode acontecer: personagens irão se perder e gente do passado virá para o futuro. Só que por trás disto tudo está a história da garotinha Clara, que é esnobada por quase todos na escola e tem um complexo de vergonha por causa do seu avô.

Clara e o Chuveiro do Tempo pode se dar muito bem na programação da emissora carioca. Já existe até mesmo um horário para ele, e este é o da manhã, no lugar do Sítio do Picapau Amarelo. Digamos que o Sítio anda em uma péssima fase, com problemas em direção, elenco e roteiro. Clara tem, é bem verdade, alguns problemas: todo o elenco infantil é ruim e caricato, a direção falha no acabamento visual e existem muitos personagens unidimensionais. Mas as qualidades são maiores: texto, elenco adulto (Eva Wilma e Flávio Migliaccio são tudo) e a alma do especial compensam tudo. É bem possível que o Sítio ceda lugar para Clara, e nossas crianças sairão ganhando.

Já o segundo especial, Estação Globo, promete um futuro promissor. Ivete Sangalo em um momento de carisma inesgotável apresenta atrações musicais com desenvoltura invejável. O programa é dinâmico, principalmente porque a câmera não tem apenas a obrigação de mostrar as atrações, mas também de integrar a platéia ao conjunto da edição, que é muito boa. A Globo nunca teve muita sorte com direção de musicais, desde programas de sua grade fixa até eventos como o Criança Esperança, a emissora sempre decepcionou.

No caso desta Estação Globo, o que vai pra frente talvez nem seja o projeto em si (que pode ganhar algumas edições extras durante o ano, aos sábados de tarde ou domingos de tarde), mas sim a apresentadora. Ela pode pegar algum outro formato na emissora e tomar as rédeas, ou mesmo ganhar um programa com formato próprio. Fico imaginando como seria interessante vê-la no lugar do Faustão, pegando as mesmas atrações, o mesmo cenário, o mesmo público, a mesma direção, mas com ela lá no centro de tudo. Seria a grande atração do domingo, sem dúvida.

O futuro tanto de Estação Globo quanto de Clara e o Chuveiro do Tempo (que continuarão por mais três domingos) é um mistério, mas o bom senso nos leva a crer que ele deverá existir.

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Publicado por GUSTAVO CRUZ E SILVA às 12:29 AM

Sexta-feira, Dezembro 16

Globo é a única emissora com especiais de verdade

Existe um espaço em branco na programação da Globo que precisa ser preenchido (desde que não haja mudanças na grade, o que é improvável, será apenas um). Esse espaço está nas sextas-feiras, após o Globo Repórter, onde há uma grande dança das cadeiras, com seis episódios de Cidade dos Homens, sete de Carga Pesada... enfim, nada definitivo. E, como no ano passado, a Globo novamente tenta descobrir o que pode funcionar por ali com chamados especiais de fim de ano.

Este ano, dois dos supostos especiais do ano passado retornam: Quem vai ficar com Mário? e Correndo Atrás. Por um único episódio transmitido, simpatizei mais com o último, que não é lá grande coisa. O primeiro é que é uma besteira intragável. Mas vamos torcer para que ambos se tornem algo melhor nesta espécie de retorno. Além desses, a disputa também ganha Levando a Vida, Os Amadores e Toma Lá dá Cá. Todos os cinco são comédias, ou seja, sitcoms. Resta aguardar para ver como eles se comportarão, e ver se neste ano algum arrebata a tal vaga, ou se continua tudo na mesma.

Agora, sem nenhuma pretensão de entrar para a grade fixa da Globo, está Clara e o Chuveiro do Tempo. É um infantil, muito parecido com o ótimo O Pequeno Alquimista, que passou ano passado nesta mesma época, como diversão básica para a hora do almoço no domingo. A revelação Cléo Pires estrela o especial como Cleópatra.

Além desses, há também os especiais musicais, como Estação Globo, apresentado por Ivete Sangalo, e o famoso Roberto Carlos Especial. Me lembro de um certo Jovens Tardes, que começou como especial e acabou ganhando mais seis programas nos domingos da emissora. Tenho uma leve impressão de que isto possa vir a acontecer com o Estação Globo, dependendo da audiência. A gente sabe que o Brasil ama Ivete Sangalo.

Nem sei se deveria dizer, mas a Xuxa também resolveu enfeitar nossa ceia de natal. É! Ela vai fazer o Xuxa Especial, um programa onde ela conta histórias de natal para algumas crianças. Lá se foi o tempo em que a Rainha dos Baixinhos estava no trono por fazer valer a pena. A época agora é de Floribella, que por sinal, também terá um especial na Band. Fora da Globo, será o único especial realmente feito para o natal, bem mais fresquinho que shows gravados e reprises de especiais estrangeiros ou de anos passados. Ao que tudo indica, só quem transmite vê graça.

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Calendário

A programação dos especiais da Globo está logo abaixo.

Clara e o Chuveiro do Tempo: 18/12, 25/12, 1/01 e 8/01, às 13:00.

Estação Globo: 18/12, 25/12, 1/01, 8/01, às 14:00.

Roberto Carlos Especial: 21/12, após Belíssima.

Correndo Atrás: 22/12, após A Grande Família.

Levando a Vida: 23/12, após Globo Repórter.

Xuxa Especial: 24/12, após Belíssima.

Os Amadores: 27/12, após Casseta e Planeta.

Toma Lá dá Cá: 29/12, após Belíssima.

Quem vai ficar com Mário?: 29/12, após Toma Lá dá Cá.

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Casseta e Planeta, A Diarista, A Grande Família e Zorra Total também terão especiais, nos seus respectivos horários.

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Publicado por GUSTAVO CRUZ E SILVA às 1:38 AM

Quinta-feira, Dezembro 15

Alma Gêmea sofre com "nerds do espírito"

A novela das seis, Alma Gêmea, é uma obra especial. Tem um texto suave e extremamente carismático do Walcyr Carrasco, um elenco surpreendente (entenda: quem era para ir bem, vai mal; quem era pra ir mal, vai bem) e uma das melhores direções da carreira de Jorge Fernando. Só que existem algumas coisas realmente chatas na novela, e que só não a tornam um desastre em função do público cativo ser enorme, composto por adoradores de novelas de época. Uma dessas coisas chatas é um grupo de personagens chatíssimos que eu vou chamar de "Os nerds do espírito".

Representante máxima desse grupo, Serena (Priscila Fantin) adora ser a mãezona de todos. Vive declamando falas sobre o amor e a paz como se fosse o Dalai Lama do Brasil. Serena, como não poderia deixar de ser, adora os espíritos. Adora mesmo. Sabe as vozes? Serena acredita piamente nelas, gosta delas e é submissa a elas. A personagem da Priscila Fantin consegue ser amiga até mesmo da esquisitona Alexandra (Nívea Stelmann), que tem uma cara perturbadora e escuta as tais vozes toda hora. Vira e mexe, ela diz que fulano tem problema espiritual, julgando-se capaz de dizer quem é bom e quem é mau, sem medo de que sua arrogância fique explícita.

Mas há quem acredite em Alexandra. Julian (Felipe Camargo), é o sabe-tudo em questão de espíritos. Ele faz a regressão para vidas passadas em Serena, ele compreende Alexandra (mais pra frente, vai fazer par com ela) e, é claro, acredita em qualquer coisa que disserem sobre espíritos. Dia desses ele disse que tudo que as vozes dizem pra Alexandra é pura verdade. Sem perder o trocadilho, resta dizer que elas precisam dizer para o Julian que ele é muito chato.

Continuando com os "nerds do espírito", vamos entrar em uma subdivisão no grupo: os neo-nerds do espírito, aqueles que começaram a acreditar nos espíritos por força do destino. Estão aí o Rafael (Eduardo Moscovis), que tornou o espiritismo a base da sua vida após sua esposa falecida Luna (Liliana Castro) reencarnar em Serena; Vera (Bia Seidl), que acreditou em espíritos após ver que Serena tinha os mesmos dons para o balé que a tal Luna; Adelaide (Walderez de Barros), que não teve dúvidas ao ver Serena pela primeira vez e começou a crer em tudo que é coisa com espírito no meio; Agnes (Elizabeth Savalla), a mãe de Luna que demorou, mas acreditou que Serena era a reencarnação da sua filha; e Elias (Umberto Magnani), que revelou uma biblioteca espiritual após o núcleo dos "nerds do espírito" entrar com tudo na trama.

Não me recordo de alguma novela na Globo ter tido tanta coisa espiritual no meio, principalmente se focando em uma determinada religião (no caso, o espiritismo). Sabe-se que Lili Marinho (mulher do falecido Roberto Marinho), poderosa na emissora, era católica e acabou encontrando o espiritismo para se recuperar de algumas perdas. A história de Lili é muito parecida com a da Globo, emissora tradicionalmente católica, mas que ultimamente tem revelado alguns traços espíritas (América também tinha um pouco, lembram?). Essa indecisão pode se mostrar perigosa, principalmente em um momento onde uma emissora promissora (a Record) vem ganhando muito dinheiro com sua igreja evangélica, e a gente sabe que evangélicos e espíritas brigam entre si como o Diabo foge da cruz. Ou seja, além de ser perigoso pra emissora, é chato na novela.

Só que o Walcyr Carrasco não vai deixar de lado seus fantasminhas camaradas justamente em um instante onde isto parece estar ganhando um pouco mais de força na situação do fio condutor dramático de Alma Gêmea, dando mais pano pra manga para os "nerds do espírito" continuarem a propagar sua crença. E, consequentemente, deixando a novela das seis perder um pouco da sua graça romântica de época, que está sendo substituída por propaganda religiosa obrigatória.

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Publicado por GUSTAVO CRUZ E SILVA às 2:24 AM

Quarta-feira, Dezembro 14

O cadáver de atores promissores

Terça-feira, após a divulgação dos indicados ao Globo de Ouro, fiz a coluna rapidamente com os meus favoritos (que são aqueles e não vão mudar), mas ainda refleti bastante sobre algumas coisas que ocorreram. A principal delas foi, sem dúvida, a indicação de Eva Longoria, do brilhante Desperate Housewives, para a categoria de Melhor Atriz de Comédia. Se na primeira temporada na série ela não foi indicada com a acusação de ser vulgar, agora ela é indicada justamente porque o seu papel nesta segunda temporada perdeu um pouco aquela idéia de sacanagem e vulgaridade que sempre o rondou desde o início. Independente da interpretação da atriz ter ou não mudado, o papel mudou, e isso já lhe deu uma indicação, o que ela sempre quis.

Eu podia até esquecer o ocorrido, mas seria tampar meus olhos para o que é evidente: personagens vulgares são mal vistos por todos, mesmo que a atuação do intérprete seja boa. Eva Longoria, na primeira temporada de Desperate, foi uma ótima atriz. Teve uma interpretação graciosa sem perder o tom de futilidade da sua personagem. Só que boa parte do que ela fazia estava voltado para você-sabe-o-quê. Brigou com o marido, vamos fazer você-sabe-o-quê com o jardineiro. Era essa a rotina da personagem. Mesmo assim, Eva contornava a situação e não deixava sua interpretação decair. Agora, na segunda temporada, com o marido preso, ela ganhou um pouco mais de falas e não faz tanto você-sabe-o-quê, mas a interpretação continua a mesma.

É uma espécie de preconceito isto, e o ator nunca tem culpa, afinal, ela apenas interpreta. Por exemplo, o Reynaldo Gianechinni nesta novela Belíssima: ele fala com um sotaque paulistano (me desculpem quem não gosta) caprichado, achou o tom certo do personagem, mas o tal do borracheiro que ele faz está sempre com o uniforme aberto mostrando o peito do Reynaldo, jogando fora todo um trabalho do ator. Ainda em Belíssima, Cauã Reymond sobre com o mesmo problema. Seu personagem michê toda hora está com o corpo a mostra, mesmo este sendo o melhor trabalho da carreira de Cauã.

Há quem consiga contornar a situação, e eu cito Deborah Secco em América como dançarina de pubs fazendo um trabalho interessante (aliás, em Celebridade, como Darlene, ela contornou a situação tirando o estigma de gostosona sem deixar a personagem fútil) e Renata Dominguez em Prova de Amor, na Record, com outra interpretação cujo único figurino é o biquíni, mas cuja qualidade maior são os acertos da atriz.

É praticamente impossível Eva Longoria ganhar o Globo de Ouro pelas suas concorrentes de peso, mas ela já me fez abrir o olho para um assunto importante que mexe com a dignidade de muitos atores bons cujo texto os atrapalha. Culpa dos roteiristas? Talvez. Se não desse muita audiência ficar aparecendo sem muita roupa, estes reveriam seus conceitos. Mas o que ocorre, a gente sabe, é o oposto.

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Publicado por GUSTAVO CRUZ E SILVA às 2:30 PM

Terça-feira, Dezembro 13

Adorável Mackenzie Allen e previsões para o Globo de Ouro

É difícil hoje em dia você gostar de um determinado personagem em alguma novela ou série de televisão, porque cada vez mais eles estão estereotipados e unidimensionais. De vez em quando surgem algumas exceções. Algumas novelas apresentam alguns vilões melhores desenvolvidos, algumas heroínas com maiores motivações e algumas séries apresentam personagens bons de verdade. É o caso da presidente Allen, de Commander in Chief (Sony, segunda-feira, 21h00).

Mackenzie Allen tem em sua essência o verdadeiro sabor do que seria uma mulher de fibra de verdade. Ela se torna presidente dos Estados Unidos por força do destino e acaba assumindo o posto com a maior competência possível, mesmo com a mídia e mesmo muitos aliados se voltando contra ela. Pode até ser que, psicologicamente falando, ela não seja a melhor e mais presente mãe para seus filhos, mas é impossível negar que eles devem ter muito orgulho da mãe que tem, porque mesmo estando na presidência da maior potência do mundo, ela teima em ser honesta e íntegra, não caindo na tentação da corrupção e da antiética me momento algum.

Interpretada com brilhantismo pela ótima Geena Davis, Allen é a melhor coisa de Commander in Chief. A série é ótima, tem uma direção impecável e um texto profundo, mas sem ser chato ou falsamente moralista. O maior mérito é ser justamente uma série que valoriza cada um de seus personagens, desde quem cuida dos filhos da presidente até a própria presidente. Nesta trilha de personagens excelentes estão, além da presidente Mackenzie Allen, o seu adversário Nathan (o estupendo Donald Sutherland), o marido de Allen, Rod (Kyle Secor) e o fiel escudeiro da presidente, Jim (Harry Lennix). Mas fica evidente que Allen é mesmo a principal, até porque tudo que ela faz influencia o resto dos personagens.

Surpresa agradável nestas últimas estréias dos Estados Unidos, Commander in Chief garantiu seu lugar em algumas das principais categorias no Globo de Ouro, cujas indicações foram anunciadas nesta terça-feira de manhã. A coluna Televisionando torce para que consiga um bom resultado (logo abaixo, confira os indicados e os favoritos do colunista). Resta torcer também para que políticos de verdade como Mackenzie Allen apareçam no nosso país, assim como séries e personagens tão bons quanto esses.

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Nesta última terça-feira, foram anunciados os indicados para o Globo de Ouro, festa que premia os melhores na televisão e no cinema durante o ano. Como não poderia deixar de ser, vamos mostrar nossos favoritos logo abaixo. Comentários sobre os vencedores você terá nesta mesma coluna após a premiação, que ocorrerá no dia 16 de janeiro.

MELHOR SÉRIE DRAMÁTICA

Commander in Chief
Greys Anatomy
Lost
Roma
Prison Break

MELHOR SÉRIE CÔMICA

Curb Your Enthusiasm
Desperate Housewives
Entourage
Everybody Hates Chris
My Name is Earl
Weeds

MELHOR MINISSÉRIE OU FILME PARA TV

Empire Falls
Into the West
Lackawanna Blues
Sleeper Cell
Viva Blackpool
Warm Springs

MELHOR ATOR DE DRAMA

Patrick Dempsey, Greys Anatomy
Matthew Fox, Lost
Hugh Laurie, House
Wentworth Miller, Prison Break
Kiefer Sutherland, 24

MELHOR ATRIZ DE DRAMA

Patricia Arquette, Medium
Glenn Close, The Shield
Geena Davis, Commander in Chief
Kyra Sedgwick, The Closer
Polly Walker, Roma

MELHOR ATOR DE COMÉDIA

Zach Braff, Scrubs
Steve Carell, The Office
Larry David, Curb Your Enthusiasm
Jason Lee, My Name is Earl
Charlie Sheen, Two and a Half Man

MELHOR ATRIZ DE COMÉDIA

Marcia Cross, Desperate Housewives
Teri Hatcher, Desperate Housewives
Eva Longoria, Desperate Housewives
Felicity Huffman, Desperate Housewives
Mary-Louise Parker, Weeds

MELHOR ATOR DE MINISSÉRIE OU FILME PARA TV

Kenneth Branagh, Warm Springs
Ed Harris, Empire Falls
Jonathan Rhys-Meyers, Elvis
Bill Nighy, The Girl in the Café
Donald Sutherland, Human Trafficking

MELHOR ATRIZ DE MINISSÉRIE OU FILME PARA TV

Halle Berry, Their Eyes Were Watching God
Kelly Macdonald, The Girl in the Café
S. Epatha Merkerson, Lackawanna Blues
Cynthia Nixon, Warm Springs
Mira Sorvino, Human Trafficking

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Naveen Andrews, Lost
Paul Newman, Empire Falls
Jeremy Piven, Entourage
Randy Quaid, Elvis
Donald Sutherland, Commander in Chief

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Candice Bergen, Boston Legal
Camryn Manheim, Elvis
Sandra Oh, Greys Anatomy
Elizabeth Perkins, Weeds
Joanne Woodward, Empire Falls

Por questão de não ser o tema da coluna, as categorias relacionadas ao cinema não fora incluídas na previsão. E, só relembrando, os favoritos da coluna (e, portanto, não os com mais chances de ganhar) estão em negrito.

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Publicado por GUSTAVO CRUZ E SILVA às 2:29 PM

Segunda-feira, Dezembro 12

Silvio Santos revela seu lado de cupido

Married by America, a versão americana deste reality show Casamento à Moda Antiga, deu certo apenas na televisão. Após muito tempo no ar, e com audiência gigantesca, o programa acabou e os casais formados também acabaram. Nenhum deles funcionou na vida real. Mas isso não é problema nenhum, já que em televisão o que importa mesmo é a audiência, e nisso o programa promete funcionar.

Basicamente, a história é simples: um casal se torna noivo sem se conhecer, sendo escolhidos pelos familiares. Depois, eles são confinados em uma casa para decidirem se casam ou não. Se sair casamento, eles ganham diversas regalias. Se não sair, eles simplesmente não foram felizes para sempre. O problema maior do programa reside justamente na história: se o casal não funcionar logo de cara, perde a graça o programa. E se eles se apaixonarem logo de cara, também perde a graça. É muito difícil fazer com que a história se desenvolva com calma durante a duração do programa, principalmente porque o que vale é justamente a primeira impressão.

Só que o SBT promete tornar este reality show uma verdadeira novela da vida real, com historinhas, músicas de fundo, tudo o que acontecesse na dramaturgia, só que com o empurrão do apresentador Silvio Santos. Ou seja, a aposta é que o programa ganhe o telespectador não na expectativa em saber se o casal vai ou não dar certo, e sim na emoção do amor dos companheiros. Fico imaginando provas que Silvio vai criar, o que ele pode inventar... Uma coisa é certa: Silvio Santos vai roubar a cena no programa. E uma outra quase certeza é que o que ele fizer vai dar certo.

Silvio já fez de tudo na televisão: desde reality show pra fazer gente emagrecer até cantar Aonde a vaca vai o boi vai atrás ele conseguiu levar ao ar e fazer tudo com sucesso. E já formou muitos casais. Será se ninguém se lembra dos Namoro ou Amizade? e Em Nome do Amor? Esse Casamento à Moda Antiga é apenas um capricho na carreira de Silvio, que cismou de trazer muitos reality shows esse ano Brasil, todos importados dos Estados Unidos. Por um lado é bom isso, já que a Globo não se encorajou a sair do círculo de Big Brother e Fama, e Silvio teve a coragem necessária. Mas por outro lado é importante torcer para que ele não transforme tudo em novela, e que seja de fato um programa da realidade.

Vai ser intrigante também acompanhar Jorge Kajuru comandar compactos diários do programa (segunda a sábado, 22h00). O polêmico apresentador nunca fez nada além de comentar esporte e, é claro, polêmica. Quero ver ele lá perguntando para a Naira se ela está apaixonada pelo Roger. Será se ele tem um talento que a gente não conhece? Tomara que tenha sim, outras facetas. E tomara também que sua falta de papas na língua não tente se sobressair ao mote principal do programa.

Que neste novo Casamento à Moda Antiga, o SBT consiga aliar entretenimento competente à audiência sem extrapolar nem manipular. Que seja uma união de paz, como nos tempos mais remotos.

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Publicado por GUSTAVO CRUZ E SILVA às 2:16 AM

Sexta-feira, Dezembro 9

Belíssima faz tese bem sucedida em forma de imagem

Estreou nesta última quarta-feira na novela Belíssima a modelo e atriz Letícia Birkheuer, no papel de Érica Assumpção, filha de Júlia, personagem de Glória Pires. Ainda não dá pra dizer nada muito concreto a respeito da interpretação da moça, mas já dá para afirmar que ela funciona muito mais como modelo (e um rosto bonito na novela) do que como atriz. Mas não é nada que algumas aulinhas de interpretação não resolvam, principalmente quando se tem Cláudia Abreu, Glória Pires, Pedro Paulo Rangel, Tony Ramos e Fernanda Montenegro para prestar auxílio.

Mas a personagem Érica é muito mais importante do que a estréia de Letícia Birkheuer. No contexto de crítica à geração-beleza, Érica é o centro de tudo. Ela é a bela que foi tentar a vida na Europa, a engrandecida pela bisavó, a que também vive sobre a pressão do mito da beleza que foi sua avó e que sente necessidade de mostrar resultado em uma sociedade regida por uma beleza proclamada para todos os lados, por diversas vezes cruel e que pode causar grandes danos pessoais e psicológicos.

Aliás, vejo aqui a necessidade de abrir um espaço para elogiar o texto do autor Sílvio de Abreu, que faz, sim, uma tese a respeito da nossa geração e do poder da beleza, mas que consegue levar ao ar através de uma leveza que acaba tirando qualquer espécie de tema chato, repetitivo e acadêmico. Sílvio, em nenhuma de suas novelas que eu me recorde, fez alguma coisa apenas para fazer polêmica, pura panfletagem, ou então apresentou uma tese em forma de monografia com frases feitas e cenas arrastadas. Ele sempre soube achar o contexto correto justamente para que nada disso acontecesse, e mesmo que em muitas vezes sua tentativa não tenha dado certo com a audiência, ele não abandonou o rumo e continuou com o projeto.

Houve uma cena crucial que me deixou abismado com a competência desse ser chamado Sílvio de Abreu e me deu segurança de que o público estaria em boas mãos durante todo esse seu triunfo chamado Belíssima. Logo ao início da novela, no primeiro capítulo, modelos desfilaram de lingerie durante toda a cidade de São Paulo, com protestantes fazendo manifestação constante. Aí, Glória Pires apareceu discutindo com Fernanda Montenegro que não queria que acontecesse aquela confusão. Aí Montenegro disse: Eu paguei pelas modelos. Mas também paguei pela manifestação.

Ele está criticando a Rede Globo (que mantém essa ditadura da beleza), mas sem ter medo. A cara e a coroa estão nas mãos de Sílvio de Abreu.

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Publicado por GUSTAVO CRUZ E SILVA às 3:15 PM

Quinta-feira, Dezembro 8

Homer Simpson e o telespectador brasileiro

Há mais de dez anos no ar, o seriado animado americano Os Simpsons vai ficar na História por três motivos principais. Primeiro, por ter estabelecido um novo formato de humor na televisão mundial, um tom irônico e auto-crítico. Segundo, por ter renovado (e isto é absolutamente técnico) a forma de criação visual de alguns personagens, sem se fixar em formatos nem em regras. Por último, finalmente, por um personagem que você deve amar, mesmo que não saiba: Homer Simpson.

Ok, ele pode não ser o personagem mais legal do desenho, mas suas falas são sempre as mais engraçadas, mais irônicas e, inevitavelmente, mais profundas. Compreenda: esta profundidade não está de maneira alguma relacionada à situações, mas sim a uma espécie de auto-comédia, onde o personagem faz rir de si mesmo criticando o público, ao mesmo tempo. Só que agora, Homer retorna aos holofotes por outros motivos, e ele nem esperava que isso pudesse acontecer.

Dizer que Homer, o pai da família Simpson, é um exemplo pode soar algo engraçado. Só que perde completamente a graça quando se descobre que o ranking da revista americana Health of Men o elegeu um dos dez homens da década de 90. O motivo de Homer encabeçar a lista? Ele ensinou uma geração a lidar com o desafio da paternidade. E a lista não é brincadeira não: ao lado de Homer, está também Lance Armstrong e Bill Gates.

Mas tem mais: se você acessa alguns sites na internet ou compra alguns jornais já deve ter percebido que William Bonner referiu aos telespectadores do Jornal Nacional como Homer, e que isso causou polêmica. Tudo começou com a visita de professores de uma faculdade de jornalismo que foram visitar a redação do jornal e acabaram participando de uma reunião de pauta do dia, onde alguém sugeriu a Bonner uma determinada reportagem e, suavemente, ele disse que o Homer não ia entender.

Depois da polêmica gerada, Bonner disse que ele quis dizer que o telespectador comum brasileiro era uma espécie de Homer, uma pai comum, sem muita instrução e tal. É desculpa, eu sei. Só que não dá pra disfarçar: não é apenas aos olhos de quem faz televisão que muitos de nós somos como Homer. A verdade é que nós somos Homer. Acreditamos em muita besteira, somos politicamente incorretos e muita gente simplesmente não tem instrução, como Bonner defende. Mas daí a pegar Homer como representante da gente é um grande (e errado) passo.

Eles querem nos enxergar como uma massa única, que pensa na mesma direção e age da mesma forma. Só que eles esquecem que nós temos o controle remoto. E que, para a sorte de quem tem televisão por assinatura, o Homer é concorrente direto deles. É só pegar o controle remoto. Melhor que reclamar.

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Publicado por GUSTAVO CRUZ E SILVA às 6:41 PM

Quarta-feira, Dezembro 7

The Handler esquece muita coisa, mas poderia dar algo melhor

Segundo o dicionário, a palavra handler (do inglês) acaba sendo traduzida para alimentador no português. Não acredito que tenha sido esta a proposta dos criadores da série The Handler, que o AXN estreou nesta terça, na privilegiada faixas das 20h00, que tem muitos objetivos, e não chega a lugar nenhum, justamente por não saber alimentar corretamente cada pedaço da sua história.

O handler é Joe Renato (sim, o nome é esse), interpretado pelo vencedor do Emmy Joe Pantoliano, um agente responsável por treinar e liderar um grupo de agentes do FBI que investiga os mais diversos crimes de Los Angeles em missões disfarçadas. Existem diversas espécies de histórias menores, que vão se dividindo, se dividindo, e muitas delas acabam se perdendo e terminando sem explicação alguma. As que sobrevivem, vão cambaleando até o desfecho sem graça, pelo menos foi o que se viu neste primeiro episódio.

Para se ter uma pequena idéia, basta entender que a maior tensão criada foi em torno de uma policial que foi encarregada de descobrir quem supria um traficante. Acontece que, ao chegar ao final, o público acabou por descobrir que era tudo um teste do FBI para saber se ela teria chance de conseguir permanecer na organização. Ou seja, foi, foi e morreu na praia. A outra história do episódio foi muito mal explicada e com uma resolução terrível, com outras coisas desnecessárias, como desdobramentos da personalidade de uma prostituta drogada contratada para enganar um mafioso.

Ainda assim, é possível identificar coisas boas na série, principalmente a interpretação do Joe Pantoliano, na medida certa, sem exageros ou cúmulos, pelo contrário, estabelecendo o ponto de equilíbrio entre o drama e a ação, sem pender para nenhum dos dois. Acontece que ele parece ser a única coisa boa do elenco, que tem uma atriz péssima, Anna Belknap, que eu não conhecia, e deveria ter ficado sem conhecer, já que ela é inexpressiva ao quadrado.

Em compensação, e eu preciso ser honesto, apesar das histórias serem muito mal desenvolvidas, há uma qualidade quase oculta em The Handler, que o telespectador mais apurado deverá perceber. Todos os diálogos são ótimos, nenhum é extremamente direto e nenhum enrola, justamente o oposto: eles começam corretamente e são cortados no momento certo, ou para finalizar, ou mesmo para depois retornarem. Eles tem um teor no ponto certo de drama e um toque de ironia. Mas é tudo bem sutil, que em uma série com mais defeitos que qualidades, pode acabar sendo esquecido.

Não posso lamentar o fim precoce da série nos Estados Unidos, mas tampouco posso deixar de ressaltar que, mesmo mal alimentados pelo roteiro e subnutridos por quase todos os atores, o submundo do FBI e suas peculiaridades poderiam render algo melhor mais pra frente. CSI, quando começou, não era grande coisa. E veja só no que virou hoje.

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The Handler, AXN, Terças, 20h00

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Publicado por GUSTAVO CRUZ E SILVA às 6:45 PM

Terça-feira, Dezembro 6

Experimente Arrested Development

Existe um motivo especial para o telespectador brasileiro comemorar e muito o mês de janeiro. Além de algumas estréias (tanto na televisão aberta quanto na fechada), este mês ainda trará de volta uma das melhores coisas que a comédia norte americana nos últimos tempos inventou: Arrested Development. Apesar de passar todo dia durante o almoço (Fox, 12:00) e durante a tarde (Fox, 16:00), agora a série volta com novos episódios, e cada vez melhores.

Para você se preparar para o retorno triunfal, a Fox irá promover três maratonas com episódios das outras temporadas. Anote aí: 15, 22 e 29 de janeiro, das 17h00 às 20h00. Conheça a série, e acompanhe quando ela retornar.

Arrested se centra em um pai viúvo que, quanto tem seu pai preso, acaba sendo encarregado de cuidar da família de loucos que o cerca, loucos de verdade: uma socialite, um médico fracassado, uma obcecada por moda e um homem que perdeu sua licença de médico. Loucos de verdade.

O criador da série, Mitchel Hurwitz, diz ter querido criar uma série sobre pessoas que ainda não haviam se tornado seres humanos. Basicamente, a série é isso mesmo: excentricidades. Mas se o telespectador resolver fazer uma leitura mais humana dos personagens e das situações que esses vivenciam poderá se surpreender e até mesmo se encontrar, acabando por se auto-corrigir, identificando seus erros.

É uma pena que Arrested seja uma série de críticos, pouco privilegiada pelo telespectador, que resolveu esnobá-la. Sempre está indicada aos maiores prêmios, sendo até premiada algumas vezes, mas tente olhar o quadro de audiência e encontrar Arrested...

Pode ser difícil gostar da série e seu jeito esquisito logo ao início, mas assim que você entrar na brincadeira, não vai restar tempo para desistir. Experimente.

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Publicado por GUSTAVO CRUZ E SILVA às 12:39 PM

Segunda-feira, Dezembro 5

Submissão em nome do sucesso

A televisão obriga muita gente a se submeter a um determinado estereótipo apenas para continuar em alto, para não ser considerada sem valor no mundo dos bastidores. Não posso condenar isso, até porque muita gente melhorou após essa submissão, mas muita gente soa artificial, fake, e para essa gente, era melhor ter continuado do jeito que estava, o jeito natural, que ia fazer sucesso e não ia ser desagradável.

Quem deu errado foi a Sabrina Sato. Ela entrou no Pânico e, acredito eu que por ela mesmo, acabou se tornando uma caipira que, no BBB (que a revelou), ela não tinha. Injetaram nela um irritante sotaque caipira e uma desnecessária burrice, que faz com que olhemos para ela justamente como produto, da forma mais preconceituosa possível. Ela não é burra. Alguém capaz de tramar um casal de aparência como ela fez no reality show não apenas precisa ser inteligente, como também muito esperta. Ela pode até ser legal, mas se submeteu a algo que, definitivamente, a coloca em um patamar de inutilidade altíssimo.

Mas eu queria chegar justamente no exemplo que mais funcionou, na minha opinião: Luciana Gimenez. Vai dizer que você a acha tola? É tipo aquela imagem que ela passa. Mas um tipo extremamente bem arquitetado. Para ter fama, ela percebeu que apenas ser filha da Vera Gimenez não adianta. Teve, então, um caso com Mick Jagger. Estourou na mídia. Depois, teve um programa próprio, o polêmico e trash Superpor, na Rede TV. Só que se ela fosse comum, não ia distanciar da massa de apresentadoras. Criou a imagem de burra apenas para ser reconhecida como tal, mas admirada com muito mais importância.

Qual não foi minha surpresa ver que ela fala um francês impecável no seu programa. Assim como seu inglês (alguém esqueceu que ela fez curso de atuação na Inglaterra para ser a Helena no filme Tróia?). E ela está muito por dentro das tendências e temas da atualidade. Na discussão com Rosinha Garotinho, ela provou estar por dentro de tudo muito mais do que alguns pseudo-intelectuais que podem estar até mesmo na sua casa. Ela, além de não ser tola, ainda é inteligente.

Sinceramente, você acha que ela não sabe quanto é sete vezes oito como ela diz no Pânico? Criar uma imagem se tornou a forma mais fácil de dar certo na vida. Mesmo que isso, por si só, não seja correto.

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Publicado por GUSTAVO CRUZ E SILVA às 12:28 PM

Sexta-feira, Dezembro 2

O verdadeiro encosto

Sim, eu sei que você não agüenta mais as intervenções comerciais na televisão aberta. Se você quer ver a receita no programa da Claudete Troiano e ela te enrola com sabe-se lá quantas propagandas, a culpa é dela e, involuntariamente, sua, que é quem dá a audiência. Nem a televisão fechada escapa. Mas, veja só, existe algo muito pior do que vender produtos: é vender religião. Mais precisamente, e eu vou ser direto mesmo, a religião evangélica.

A programação da madrugada inteirinha da televisão brasileira, incluindo muita coisa na hora do almoço, no horário nobre e às vezes até durante a tarde, está sendo contaminada pelos pastores evangélicos. De diversos segmentos das igrejas evangélicas (que crescem cada vez mais), eles insistem para que você compareça a um culto. Atendem diversas ligações para provar que o problema da sua vida tem solução, e está com eles.

Além, é claro, das propagandas com a água do Rio Jordão, por exemplo, existem também as terríveis esquetes com os problemas que cada um tem na vida. Atores amadores no cúmulo da palavra só sabem chorar, gritar, espernear e tudo o mais. Aí, quando acaba os quadros, os pastores aparecem novamente, dessa vez, para ver se você se identificou com o tema tratado e, novamente, convidando-o a ir a um culto deles, para se curar.

O ruim disso nem é o fato de ser algo evangélico no ar (eu não tenho nada contra a religião, até porque também sou cristão) e sim a contaminação que isso causa, sendo ampliada cada vez mais, ocupando espaços que poderiam ser usados para ampliar o mercado de trabalho televisivo no país. E, sinceramente, eu duvido muito que alguém no mundo seja capaz de gostar desses programas. Até mesmo os evangélicos não devem gostar disso, já que é um convite para um culto, e se eles são evangélicos, vão ao culto mesmo sem convite.

Agora no ar substituindo João Kleber, o pastor RR Soares insiste para que o telespectador não apenas vá ao culto, mas que também seja uma espécie de patrocinador do programa. Segundo ele, é difícil manter um programa daqueles no ar. Aí eu me pergunto: como ele consegue, então, comprar o horário na Rede TV? Sim, porque horário na televisão é pago, e nunca é barato.

O encosto que os pastores tanto querem exorcizar da vida dos telespectadores problemáticos e carentes podem ser, veja a ironia, os seus respectivos programas.

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Publicado por GUSTAVO CRUZ E SILVA às 1:56 PM

Quinta-feira, Dezembro 1

A guerra das Dianas

Ei, então quer dizer que você também está gostando das novelas da Record? É, eu bem que imaginava. Começou com o turbilhão A Escrava Isaura, uma boa novela que marcou a volta da Record, continuando com Essas Mulheres, outra novela boa que teve um grande público cativo, e finalmente com a atual Prova de Amor, uma novela de sucesso real e palpável, com enormes índices de audiência e que deve encostar muito em breve em Bang Bang. Aliás, existe uma coisa que eu não sei se vocês já notaram, mas que marca perfeitamente bem a briga destas duas novelas: uma guerra das Dianas, cada uma em uma novela.

A Diana de Bang Bang é durona e fria, mas acabou amolecendo assim que a audiência não se mostrou muito contente com a novela. A intérprete Fernanda Lima é fria como a personagem, inverossímil e over. Além de não ser uma personagem muito boa em questão de desenvolvimento do texto, a atuação de Fernanda ainda coloca a Diana da novela mais no chão, sem nenhuma chance de identificação com o público.

Já a Diana da novela Prova de Amor é outra história. Seguindo uma linha de Miss Simpatia, esta Diana consegue ser simpática e ainda faz com que torçamos para que ela fique com o mocinho Daniel (Marcelo Serrado), ao invés da chata da Clarice (Lavínia Vlasak). E o que ainda é melhor nesta Diana diz respeito à sua intérprete: Patrícia França. Além de ocultar boa parte dos erros de Prova de Amor, Patrícia ainda nos dá uma interpretação sensível e muito mais real do que Fernanda Lima. Ela pode não ser a protagonista, mas já roubou nossos corações.

É uma pena realmente que a audiência não se baseie em interpretações e carisma de personagens. Mesmo tendo apenas um pouco mais do que a metade da audiência de Bang Bang, Prova de Amor tem um texto muito bom, atores sensíveis o suficiente para compreender o melhor tom de um personagem e uma direção caprichada, como provavelmente nunca se viu na Record. É a primeira novela atual dessa nova fase da emissora, e já funciona perfeitamente com o público. Os telespectadores precisam levar um banho de atualidade para se darem conta do que realmente é bom atualmente.

Cada vez menor em quesito de metragem e pior em quesito qualidade, Bang Bang só sobrevive porque boa parte de seus telespectadores ainda vivem como se estivessem no Velho Oeste. Vivem friamente como a Diana de Bang Bang. Quem optou pela Diana de Prova de Amor se surpreendeu e já deve estar agindo com muito mais alegria e sensibilidade, como a personagem.

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Publicado por GUSTAVO CRUZ E SILVA às 2:09 PM

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