Quinta-feira, Junho 30, 2005


PROGRAMA PARA A FAMÍLIA?

Ligar a televisão durante a semana no programa do apresentador Gilberto Barros, Boa Noite Brasil, Band, e ver o quadro Tudo Sobre Sexo no ar me choca sinceramente, ainda mais em um programa que vende a embalagem de familiar. É uma embalagem descartável, ao que parece.

Fico pensando no constrangimento de uma família com pai, mãe e filhos sentados em frente a televisão, vendo como se coloca uma camisinha e quais os últimos produtos eróticos estimulantes do mercado. O que isso viria a acrescentar a um menino de 10 a 12 anos? Apenas viria a atrapalhar.

Pode até ser que a idéia de se construir um quadro de educação sexual no programa tenha sido muito bacana, mas em TV deve se pensar que tem alguém do outro lado da tela, vendo tudo. O programa de Gilberto Barros parece não ter noção do que seria limite.

O apresentador tenta passar aquela imagem de gordo-carismático-intelectual (a cara de sério que ele faz é ridícula) pra conquistar seu público, que tem opções melhores. Na verdade, ele parece mais uma pedra no caminho de quem parece querer sentar na TV pra ver o excelente Jornal da Noite, de Roberto Cabrini, maior share da Bandeirantes, que tem perdido audiência justamente por causa do Boa Noite Brasil.

Querer fazer do sexo algo sério, dar à sacanagem uma conotação importante, mesmo que superficial, é uma tentativa ridícula de colocar no ar algum programa informativo de que nossa tevê tanto necessita.

Mas para o programa sério, é necessário credibilidade. E Gilberto Barros talvez nessa seja a pessoa adequada para o papel.

Obs.: Dia desses, Gilberto se referiu ao site Cinema em Cena (www.cinemaemcena.com.br) como um site sobre fofocas de Hollywood. Na verdade, o site é sobre críticas e notícias de futuros lançamentos. Faltou apurar a fonte.

GUSTAVO CRUZ E SILVA - 2:23 PM

Comments:

Quarta-feira, Junho 29, 2005


AS SEMELHANÇAS ENTRE AS NOVELAS DE WALCYR CARRASCO

Com mais de uma semana de exibição da novela Alma Gêmea, já é possível identificar muitas semelhanças entre esta novela com outras novelas do Walcyr Carrasco. Semelhanças em todos os quesitos, da direção, do texto, do elenco. De tudo.

Me parece mais evidente a semelhança entre o elenco de suas novelas. O ator que faz o protagonista me parece sempre seguir uma mesma linha. O jeito de atuar de Eduardo Moscovis (desta novela e de O Cravo e a Rosa) e de Murilo Benício (de Chocolate com Pimenta) são muito parecidos, principalmente com relação ao tom de voz. Priscila Fantin também esteve em Chocolate com Pimenta. Num contexto geral, é possível ver que as novelas de Carrasco tem um elenco sempre parecido para cada núcleo, seja cômico, de vilões ou caipira.

Podemos observar outra semelhança se vermos as roupas, os acessórios, a caracterização de época. Toda essa parte técnica me parece muito igual. Todas as novelas da Globo que são de época parecem ter cenários parecidos, roupas idênticas. Até os cabelos parecem seguir uma mesma linha.

Escolha de elenco e parte técnica semelhantes até seria de se aceitar. Mas a história, não. A história de Alma Gêmea me parece basicamente a mesma de Chocolate com Pimenta. Começa com um relacionamento engrandecido pelo autor. Personagem morre. O que sobrou venera o morto. Chega alguém para acabar com o sofrimento. São as mesmas seqüências.

Até aquele núcleo cômico me parece parecido. Os personagens de Marcello Novaes, em Chocolate com Pimenta, e de Emílio Orcciolo, nesta Alma Gêmea, seguem a mesma linha. As semelhanças entre Mirna (Fernanda Souza, de Alma) e Márcia (de Chocolate), além da pronúncia, também estão no fato de que elas querem desencalhar, arranjar marido. Existem outras semelhanças (a floricultura desta e a loja de bombons da outra), mas prefiro me prender apenas ao básico.

Talvez a única coisa que não se assemelha a Chocolate com Pimenta é a vilã, aqui Cristina, interpretada por uma exuberante e ótima Flávia Alessandra. Enquanto em Chocolate, a vilã era atrapalhada, aqui, a personagem de Flávia se parece realmente com vilã. Talvez pelo fato de se mostrar séria.

Apenas com a vilã Walcyr Carrasco parece ter tido o trabalho de pensar mais um pouco e inovar. É preciso tomar cuidado, pois a audiência quer coisa nova.

GUSTAVO CRUZ E SILVA - 12:27 PM

Comments:

Terça-feira, Junho 28, 2005


OS VILÕES DE AMÉRICA

Um dos maiores problemas da novela América no seu início (conforme o blog já havia citado) era justamente a falta de um vilão, a falta de um lado mau na história de Glória Perez. Pois bem, ultimamente, a autora instalou na novela um grupo de vilões para tentar consolidar os últimos índices de audiência (grandes, por sinal).

Para isso, ela resolveu dar para o personagem do Thiago Lacerda, o coiote Alex, uma dimensão real do que é ser mau. O que Glória fez? Colocou o personagem para dar em cima da irmã da protagonista e enganá-la. Agora, ele quer levá-la aos Estados Unidos. Quer fazer da personagem, Mari, uma traficante de drogas. O único problema é que a personagem não é das mais queridas do público e, portanto, não faz com que torçamos contra o vilão.

De tempos em tempos, a Betty Faria aparece como Djanira Pimenta, a comandante do grupo de coiotes que levam as pessoas aos EUA, fazendo umas maldades. Toda hora ela diz que se a droga não chegar conforme o esperado, vai executar. Que pena dos personagens que ela vai matar! Que pena dos foras-da-lei que a personagem mata! É uma justiceira que está do lado errado...

Existem os quase-vilões, como Laerte (Humberto Martins), Ramiro (Luis Mello) e até mesmo a fofoqueira Diva (Neuza Borges), que não funcionam porque trabalham no vácuo, meio que sem motivo. A grande vilã deveria ser May, a personagem da ótima Camila Morgado. Ela faz mal justamente contra a protagonista, a Sol (Deborah Secco). Não quer deixar a protagonista casar com seu namorado, Ed (Caco Ciocler). O único problema é que a Sol quer casar com o Ed para ter o... Greencard! Vamos proibir a mocinha de ter o Greencard! A May quer proibir a Sol de ter a garantia para o dinheiro.

Se nós acreditássemos no objetivo da protagonista, que é se dar bem nos EUA, funcionava. Mas esse é um objetivo ambicioso, ganancioso. Um problema primário da novela. Um vilão funciona quando torcemos contra ele. Mas para torcer contra ele, precisamos torcer para alguém. E América não tem ninguém que conquiste o telespectador de jeito.

Desse modo, só conseguimos odiar Geninho (Marcello Novaes), que enganou a mãe para ter o dinheiro das terras da família; e Nina (Cissa Guimarães), que fica amiga da mulher do amante para saber da vida do mesmo, cria um universo para enganar Haydée (Christiane Torloni) e ainda torce para que a separação ocorra. Dentro de um universo de personagens descaracterizados, ao menos um tinha que funcionar.

GUSTAVO CRUZ E SILVA - 12:40 PM

Comments:

Segunda-feira, Junho 27, 2005


A ARTE DE INVADIR FESTAS

Ultimamente, se estabeleceu na televisão aberta do Brasil, uma mania totalmente sem graça, mas que com o manejo dos humoristas, acaba se tornando uma coisa altamente hilária. Levante o dedo quem nunca riu alguma vez nas fez cobertas por Repórter Vesgo (Rodrigo Scarpa) e Silvio Santos (Wellington Muniz/Ceará). Sim, a mania que comento é a da invasão de festas.

Essa mania não é limitada apenas aos programas de humor: todos os programas de fofoca e até mesmo alguns jornalísticos (Tudo a Ver, por exemplo) invadem festas. E o que é pior: levam qualquer farra a sério. Pode ser da mais insignificante (o prêmio Linda Mulher) a mais grandiosa (casamento de Luciano Huck e Angélica), todas tem sua importância (e dão audiência).

Ligar a televisão a tarde é ver um festival de festinhas. O programa da Monique Evans, A Casa é Sua, está a todo momento mostrando os famosos e até mesmo aqueles populares, que você acaba conhecendo pelo próprio programa (a repórter indica: este aí pegou a Fernanda Lima há alguns anos). O programa da Sonia Abrão, do Leão Lobo, da Leonor Correa, da Adriane Galisteu, todos pegaram essa mania.

Mas existem dois programas que chamam a atenção justamente pelo manejo com que entram nas festas, invadem a vida dos outros, fazem a farra. O primeiro deles é o ótimo Pânico na Tv. A dupla do momento, Vesgo e Silvio Santos, são malditos. Perguntam o que dá na telha, aquilo que qualquer um em casa quer perguntar. Fazem as piadinhas sobre assuntos tão delicados que acabam se tornando superficiais. Eles vão à festa para entrevistar as estrelas, mas eles são as estrelas. Eles interessam mais que quem eles entrevistam. A audiência festejada parte deles.

O outro programa que gostaria de dar o destaque aqui também é da Rede TV: o Programa Amaury Jr., do saudoso Amaury Jr. É um programa tão interessante que dá ao telespectador a verdadeira sensação de estar ali na festa, no meio dos ricos, famosos e chiques. Amaury não rouba a atenção porque ele tem o dom de elevar os entrevistados a um patamar que os deixa propícios para qualquer pergunta da entrevista. As festas do Amaury são um show a parte. Ele faz a festa.

Junto com os bons, consequentemente, vem os ruins. Aquele Rodolfo do Domingo Legal é uma imitação descarada do Pânico na Tv. Só que o tal Rodolfo não sabe fazer a entrevista, a cobertura. Dia desses, ele estava na festa de aniversário do Clodovil, na casa do mesmo. O Pânico ficou na porta. Quando Rodolfo perguntou a Clodovil o porquê dele deixa-lo entrar, Clodovil foi direto: Rodolfo pede para entrar. A diferença está aí. Se pedir pra entrar, perde a graça.

***

Visite a comunidade do Televisionando no Orkut! Clique aqui!

Entre para o grupo de discussão Yahoo do Televisionando! Clique aqui e mande um e-mail em branco para o endereço.

GUSTAVO CRUZ E SILVA - 4:00 PM

Comments:

Sexta-feira, Junho 24, 2005


POLÊMICA DE ALMA GÊMEA INSTIGA O PÚBLICO

Por Gustavo Cruz e Silva

Como uma Onda não foi uma novela que prendeu o público no horário das 18hs, definitivamente. O porque disso não vou discutir por aqui. Quero discutir a volta de uma novela ao horário que tenha a capacidade de prender o telespectador: Alma Gêmea. A novela de Walcyr Carrasco chegou com tudo para arrrebentar no horário e conquistar o público.

O público brasileiro tem um lado de adoração a novelas de época, a novelas que encantem pela simplicidade, pela riqueza de detalhes, pela pureza dos personagens e, no caso dos vilões, pela maldade escancarada. Isso realmente é muito bacana e tal, mas Alma Gêmea tem algo a mais.

O texto de Walcyr Carrasco instiga desta vez porque arrisca e ousa colocar no ar um tema polêmico como reencarnação. O que poderia afastar a maioria do público, que é da religião católica, acaba por aproxima-lo ainda mais de uma novela. Este público quer ver se vale a pena ser contra do tema. Quer conhecer o tema. O brasileiro rejeita muitas coisas sem conhecer.

Logo no primeiro capítulo, Carrasco já colocou o espírito da personagem Luna, vivida pela graciosa Liliane Castro, subindo aos céus e retornando a terra pela insistência de seu marido. Quando ela ia tocar os dedos de Deus, como na pintura da Capela Sistina, de Michelangelo, seu marido, Eduardo Moscovis, gritou e fez desabar a infinita escada que faz a ligação céu e terra. Ela reencarnou no corpo da índia Serena, a sonsa Priscila Fantin, que carrega em seu corpo uma cicatriz no mesmo local onde Luna sofreu um tiro.

Sua mãe, Elizabeth Savalla, deixou de acreditar em Deus após a morte da filha (Luna). Diz que ir à missa é uma perda de tempo. Polêmica. Certamente, quando encontrar Serena, entrará em um dilema interessante: aceito ou não minha filha no corpo de outra? Vai haver mobilização.

O texto bem amarrado e direto de Walcyr Carrasco, somado à grande produção técnica de Alma Gêmea vai encantar ao público e certamente tornará a novela um grande sucesso.

O maior problema desse tipo de novela que carrega polêmica é que não há aprofundamento. A polêmica fica sutil, fica rasa. E, se houver falta de aprofundamento no tempo, resta saber se a novela conseguirá sobreviver com suas próprias pernas. Vai precisar de algo a mais.

Por enquanto, o público e a novela são uma alma gêmea.

***

Visite a comunidade do Televisionando no Orkut! Clique aqui!

Entre para o grupo de discussão Yahoo do Televisionando! Clique aqui e mande um e-mail em branco para o endereço.

GUSTAVO CRUZ E SILVA - 8:08 PM

Comments:

Seu Nome: Gustavo Cruz e Silva
Signo: Virgem
Cidade: Florianópolis
Profissão: Estudante



E-mail

» Reality Center
» Cinzas de Batalha
» Ofuxico » Controle Remoto » Babado » Uol Televisão » Te Contei!


Arquivo


Créditos